*texto de humor e ficção
DissidênciasComemora-se amanhã o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, sendo de prever uma afluência elevada de portugueses, oriundos dos quatro cantos do mundo e também de Portugal, a Belém, a fim de receberem as suas condecorações das mãos do Presidente da República.
A Presidência da República recomenda a todos os que vão ser condecorados, que usem as carreiras 15E, 18E e 727. A Carris já assegurou que estas carreiras serão reforçadas de modo a poderem responder às necessidades do 10 de Junho.
No actual cenário de quase-bancarrota, comemorar o Dia de Portugal é um pouco como comemorar o aniversário de um moribundo, a quem os convidados além de não lhe oferecerem nada, ainda lhe roubam os trapos que o vestem, a sua placa dentária e um rim.
O que diria Camões se regressasse à vida e visse (ainda que só com um olho) o estado da nossa nação? E o que diria Fernando Pessoa? Pois bem, eu consegui entrar em contacto, via e-mail com estes ilustres poetas portugueses. Admirado caro leitor?
Eu explico melhor: troquei correspondência (mail) com a “e”mpregada que limpa os túmulos destes imortais no Mosteiro dos Jerónimos, e que diz conseguir falar com Camões, Fernando Pessoa e ainda com o porteiro deste monumento.
Na véspera do Dia de Portugal, ofereço-lhe exclusivamente a si, estimado leitor, alguns excertos, da versão século XXI, do Canto Primeiro dos “Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, e também da &ldq
uo;Mensagem” de Fernando Pessoa:
“Os Lusíadas de Tanga - Canto Primeiro”
1
As damas e os barões desempregados,
Que da acidentada governação lusitana,
Por caminhos cada vez mais endividados,
Passaram além da sua condição pobretana,
E em pedidos e luxos habituados,
Mais do que podia a economia leviana,
E perante a bancarrota emigraram,
Para novos Reinos, onde tanto trabalharam.
2
E também as manias grandiosas,
Daqueles governantes que foram dilatando,
A miséria, o défice, e as obras caprichosas,
Do Minho ao Algarve, do crédito abusando;
E aqueles corruptos que por influências poderosas,
Se vão da lei da República libertando,
- Tuitando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar a internet e eu não tiver um enfarte.
“Mensagem - Mar de Dívidas”
1
Ó crise prolongada, quanto do teu mal,
São toleimas de Portugal!
Por te ignorarmos, quantas mães se endividaram,
Quantos filhos em vão estudaram!
Quantos empréstimos ficaram por pagar,
Para que te abeirasses de nós, ó crise!
2
Valeu a pena? Tudo vale a pena,
Se a loucura não é pequena.
Quem quer passar além vida precária,
Tem que passar pela porta partidária.
Deus aos portugueses o défice e a pobreza deu,
Mas neles é que espelhou o Adeus.
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