'Fazer batota sem querer', por Manuel Correia

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Estávamos no ano de 1977, eu era um jovem de 11 anos.
Vivia numa aldeia a sete quilómetros da cidade de Braga. Quase não se passava nada, naquela terra banhada pelo rio Cávado, ladeada de montes e, uma estrada principal aonde quase não passavam carros, que até dava para jogar à bola. Mas não era só de bola que a brincadeira era feita.

Um par de voluntários fundou uma associação e começaram a organizar uma corrida de atletismo por ano. Por isso foi necessário arranjar uma equipa para poder representar a associação e a terrinha. Entre vários candidatos o meu nome foi proposto e de imediato fizeram-me o convite, ao qual não hesitei a aceitar.

Antes da prova como o tempo era pouco, foi necessário treinar todos os dias. O circuito já o conhecia de cor e salteado, por isso não havia problema de me enganar durante a prova. As expectativas eram muitas, pelo menos conseguir uma medalha, beneficiava do factor, estar a correr em casa. A ansiedade aumentava com o aproximar da prova.

Mas eis que finalmente o dia da prova chegou. Todos os concorrentes a postos. Um aglomerado de pernas, e corações a bater de ansiedade.
O responsável pelo sinal de partida levanta uma bandeirinha no ar, e num gesto vertical dá o sinal de partida.

O ritmo da corrida começou forte e os mais fracos começaram a ficar para trás, eu lá fui aguentando.
Mas a meio da corrida já sentia que os que estavam à minha frente eram mais que suficientes para que eu não ganhasse uma medalha. Resolvi atalhar caminho e não me dar ao trabalho de fazer o caminho mais longo. Não para ganhar uma medalha mas para não me cansar.

Durante o atalho, fui quase a passo, não fosse chegar em primeiro, até dei uma mija. Quando voltei ao circuito, não vi ninguém, e pensei que já tinham passado todos, só podia ser o último.
Quando estava a uns duzentos metros da meta, as pessoas começaram a gesticular com as mãos, a princípio pensei que estavam a gozar comigo, devia ser o último?

Mas não, eram gestos de incentivo e de orgulho no rapaz da terra, que tinha acabado de ganhar uma medalha no último lugar com direito a medalha, o sexto lugar.

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