Viva os jovens da CERCIFAF

Ideias

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Paulo Monteiro

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Durante a nossa vida todos temos momentos que não os apagamos da memória e que os queremos guardar para sempre. No passado dia 3 um desses momentos passou por mim. Fui convidado para moderar um painel sobre ‘Caminhos para a Inclusão’ que se realizou no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, e que foi promovido pela CERCIFAF (Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Fafe, CRL) e pelo Centro de Informação Europe Direct de Entre Douro e Minho com o apoio do Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa, Governo Civil de Braga e representação da Comissão Europeia em Portugal.

Este dia era, sem dúvida, especial para os jovens de Fafe que ainda por cima vinham a Braga e num dia muito importante para eles já que se assinalava o Dia Mundial das Pessoas com Deficiência e era apresentada em Lisboa a nova Estratégia Nacional para a Deficiência para o período entre 2011 e 2013 e que conta com um total de 133 medidas que dão continuidade ao Plano de Acção para a Integração das Pessoas com Deficiência ou Incapacidade (PAIPDI, 2006/2009).

Este dia 3 tinha um programa bem recheado, a começar logo pelas 14,15 horas com um momento cultural onde era apresentado uma coreografia do Hino da Europa pelos jovens da CERCIFAF. Seguia-se um primeiro painel de ‘Combate à Exclusão’, com a presença de vários representantes do Governo e das autarquias. Mais tarde era apresentado um livro, ‘Marcas Solidárias’ - Obras Sociais das Comunidades Portuguesas, com António Braga (secretário de Estado das Comunidades Portuguesas), embaixador Santos Braga, Edmundo Martinho (presidente do Instituto da Segurança Social), Estêvão de Moura (presidente do Instituto Nacional da Casa da Moeda), entre outros. Seguia-se ainda uma pausa para o café e então o segundo painel que incluía testemunhos de jovens e adultos que venceram no mundo do trabalho e outras experiências sob o tema ‘Caminhos para a Inclusão’.

Se tudo fosse assim…. Tinha corrido bem. Mas não foi assim que correu.
Em primeiro lugar esta iniciativa começou uma hora e quinze minutos mais tarde. Porquê? Porque os principais responsáveis e muitos convidados chegaram atrasados. Diziam as más línguas que estiveram num almoço de trabalho. Eles e alguns convidados, onde se incluíam vários presidentes de câmara que se encontravam na assistência. E aqueles que chegaram atrasados não respeitaram os outros. Era bonito que quando chegassem já lá não estivesse ninguém. Isto porque os jovens da CERCIFAF esperaram mais de uma hora ao frio e ao vento (vestidos com t’shirt de manga curta com as cores da Europa) para fazerem as suas coreogra-fias. E não estamos a falar de jovens normais... Nenhum deles merecia tanta falta de respeito.

Mas o dia não acabou aqui…
Começou o primeiro painel. Bateram-se palmas em cada uma das intervenções. Os jovens da CERCIFAF, nas últimas filas do auditório do Museu D. Diogo de Sousa, eram os mais entusiastas e sempre os mais atentos. O livro (‘Caminhos para a Inclusão’) foi apresentado e logo a seguir a pausa para o café. O auditório, que estava cheio, esvaziou-se… e… quase vazio ficou para o segundo painel. Quase vazio mas cheio de jovens fortes, e alguns convidados interessados. Quanto ao resto… aproveitaram o café para saírem devagarinho…. porque o resto já não interessava.

Mas foi precisamente neste segundo painel que se falou do mais importante. Num painel onde António Braga, professor da Escola Secundária do Agrupamento de Maximinos, falou da experiência que tem com jovens com cuidados especiais. Falou de um grupo de campeões, da escola com mais alunos com cuidados especiais de ensino… Falou dos feitos que não se falam nos telejornais. E aqui, muito rapidamente, deixem-me dar dois dos exemplos: todos os anos se fala dos exames de Português e das percentagens de chumbos… mas esquecem-se de falar dos 10 ou 15 alunos que fizeram o exame em quatro horas e que tiveram 18, 19 ou 20 valores… Ou então da melhor aluna no exame de alemão que tirou 19,8 valores e que até é campeã paralímpica…
Como diria alguém outro dia, não se falam é das boas notícias...

No mesmo painel esteve Margarida Araújo, da Associação Criar Oportunidades à Deficiência, Marícia Mendes, gerente de uma empresa que contratou jovens com deficiência e que têm mostrado grande sucesso, ou então o testemunho na primeira pessoa de Sónia Fernanda, ex-formanda da CERCIFAF e que hoje é auxiliar de educação numa escola de Arões.
Exemplos de vida. Lições de vida que quase ninguém ouviu. Os holofotes, os flashes e os assistentes vips ficaram-se pela primeira parte da tarde porque depois já nada interessava. Mas foi aqui que tudo aconteceu...

Saímos dali mais enriquecidos com as experiências que foram relatadas. Naquele dia todos os que ficaram até ao fim merecem estar de parabéns e, em especial, a CERCIFAF e o Europe-Direct…
Naquele dia Mundial das Pessoas com Deficiência e dia em que foi apresentada a Estratégia Nacional para a Deficiência.

E deixem-me fazer um desabafo... o mesmo desabafo que pedi para fazer nesse mesmo dia...
É que tenho que homenagear todos aqueles jovens da CERCIFAF que estiveram presentes. Todos aqueles que mostraram uma coreografia linda da Europa e que apanharam frio durante mais de uma hora e ainda a todos aqueles que ficaram até ao fim das conferências, sentados e atentos como verdadeiros campeões…

Como dizia o professor António Braga da Escola Secundária de Maximinos, “destes jovens ninguém fala”. Pois é verdade. Ou era… Hoje falamos. E o ‘Correio do Minho’ fala deles e tem por eles uma atenção especial. Não por serem diferentes mas por ser nosso dever falar dos seus feitos. Amanhã e depois também iremos falar. Destes jovens e de outros amigos destes jovens. Eles merecem.
Viva os jovens da CERCIFAF.

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