Prioridade nacional brota das Sete Fontes

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Costa Guimarães

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Quinta-feira foi um dia histórico para o património construído e nada será como antes, para Braga, para os bracarenses, para o Governo e para o futuro.
O Sistema de Abastecimento de Águas à cidade de Braga no Século XVIII, designado por Sete Fontes, foi classificado como monumento nacional.
As Sete Fontes constituem um sistema de abastecimento de água à cidade, localizado em São Vítor e Gualtar, cuja origem remonta ao Império Romano, embora o actual sistema tenha sido construído por ordem do Arcebispo Dom José de Bragança, no século XVIII.

Era irmão de D. João V, rei que mandou construir o Aqueduto das Águas Livres para abastecer de água Lisboa, concretizando uma ideia lançada por Francisco de Holanda, no século XVI.
Foi uma das primeiras decisões do Arcebispo Dom José, no dia 21 de Agosto de 1703 ao 'pedir esclarecimentos à Câmara do estado dos muros da cidade e sobre o estado do fornecimento da água' (Livro de Vereações Camarárias de 1737/1748, folha 136).
A exemplo do seu irmão, Dom João V mandou que em Braga, a partir das Sete Fontes e Montariol, se fizessem as necessárias obras de Engenharia Hidráulica para trazer até à cidade água potável, cujas condutas chegavam ao Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Maximinos.

Esta obra abasteceu Braga até 1913, quando a água do Cávado chegou a Guadalupe, o seu caudal era de 500 000 litros por dia em 1934 e ainda hoje há casas onde a água das sete fontes chega.
Constituída por sete fontes, em pedra aparelhada, de planta circular e tecto em abóbada, a elas se juntam minas construídas em pedra por conduta e galeria.
A conduta principal nasce na primeira mãe de Água, e, vai captando as águas provenientes das restantes minas e mães de água até ao Areal, onde existia a última mãe de água (recente e barbaramente destruída por uma construtora).

A verdade não deixa desmentir que a Câmara Municipal de Braga, através da Agere, tem conservado a principal riqueza — a água — e o Plano Director Municipal serviu de tampão às pressões imobiliárias que devoram os melhores terrenos.
Com a decisão de ontem, o Governo assume também novas responsabilidades quanto ao usufruto desta riqueza singular de Braga (o património construído e natural).
Os bracarenses — e desde ontem Portugal inteiro — merecem do Governo que — tal como Dom José de Bragança — faça da sua revitalização uma das suas primeiras medidas a tomar.

As Sete Fontes eram uma relíquia de Braga e passaram a ser um tesouro nacional. Foi uma ministra de um governo socialista que o fez num processo que esteve nove anos engavetado. Gabriela Canavilhas está de parabéns pela rapidez porque se anunciaram novos adiamentos.

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