Ensino da Medicina

Escreve quem sabe

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A. Almeida-Dias

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Decorre, nesta altura, o ingresso no Ensino Superior e, apesar do aumento de vagas para o ensino da Medicina, continuaremos a assistir a um êxodo de jovens portugueses para a Europa e outros destinos, onde se torna mais simples ingressar no ensino médico e assim concretizarem um sonho.
Estima-se que neste momento se encontrem no estrangeiro cerca de 1500 alunos portugueses a estudar medicina, sendo que um número significativo encontra-se em Espanha no Ensino Superior Privado com propinas entre os 11.000 € e os 18.000 € por ano.

Na tentativa de colmatar a actual falta de médicos, o Estado Português tomou três medidas...
Uma, foi aumentar os números clausus das Faculdades de Medicina existentes, colocando em causa, segundo os seus dirigentes e alunos, a qualidade do ensino.

Outra, consistiu em contratar médicos estrangeiros oriundos, essencialmente, de países da América Central e do Sul, cuja formação académica, para além de outras questões, não está adequada ao processo de Bolonha adoptado pelo Estado Português. Não é admissível que o Ministério da Saúde dê a alguns desses médicos contrapartidas remuneratórias superiores às oferecidas aos médicos nacionais. Neste momento 10% dos profissionais inscritos na Ordem dos Médicos são estrangeiros.

A terceira e última medida foi criar cursos de Medicina de curta duração, com quatro anos, talvez por isso rotulados de inovadores desenvolvidos por universidades públicas com reduzida experiência no Ensino das Ciências e Tecnologias da Saúde, especialmente destinados a indivíduos já titulares de curso superior.

Esta situação cria um duplo constrangimento, por um lado, o acesso é feito através de concursos internos dessas Universidades, ultrapassando concurso nacional, situação que pode dar azo a interpretações que pouco beneficia um processo que deve ter o máximo de transparência. Por outro lado, a grande parte dos alunos são portadores de grau académico obtido em universidades públicas levando assim à obtenção um de segundo curso, novamente, à custa do nosso escasso herário público.

Em resumo, destas medidas resultam, entre outros prejuízos, a saída de divisas do país, o aumento da despesa pública e a redução de oportunidades de emprego para os portugueses.
Porque continua o Estado português a impedir a abertura do ensino da Medicina ao Sector Particular e Cooperativo? Não seria a solução adequada para o País?

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