12 anos de Escola obrigatória

Ideias

autor

Américo Rodrigues

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Quero deixar bem claro aos leitores que a crónica singela que apresento é a compilação de algumas reflexões de senso comum, apesar de profissionalizado no grupo de informática e do conhecimento relativo do setor da informática.
Na última década, os sucessivos governos têm vindo a tomar medidas relativas à educação, sendo das mais relevantes a criação de cursos profissionais nas escolas públicas e o prolongamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano.

A Escola Profissional de Braga, com 22 anos de história, inclusiva na sua matriz fundadora, sempre perseguiu esses objetivos, e ao longo deste período foi escolha para muitas famílias que optaram pela via do ensino profissionalizante para os seus filhos, percurso que lhes permitiu mais facilidade na procura de emprego ou na continuação de estudos. São vários os alunos do curso de Informática da EPB que, além de terem conseguido emprego na área, continuaram estudos, nos cursos CET ou no ensino superior.

Infelizmente, alguns sectores da sociedade portuguesa ainda não perceberam a importância crucial da educação dos jovens num mundo cada vez mais competitivo e exigente do ponto de vista educacional.
É confrangedor para qualquer professor quando temos pela frente encarregados de educação jovens, a rondar as quarenta primaveras, que preferem a escola da vida à própria escola.

Felizmente, a atitude parece estar a mudar lentamente, no entanto, as estatísticas portuguesas em relação ao insucesso e ao abandono precoce da escola ainda são dramáticas em relação à média europeia, só encontrando paralelo em países com níveis de desenvolvimento inferiores ao nosso. A educação é o melhor veículo para o combate às desigualdades e à exclusão em qualquer sociedade livre.

Recordo-me de ter ficado estupefacto no dia em que tomei conhecimento de alguns números referentes ao ensino superior em Deli e Bombaim, país de pobreza e sistema de castas. Para os mais curiosos deixo aqui um link de estatísticas nacionais sobre educação: http://estatisticas.gepe.min-edu.pt/index.jsp.

A educação de base massificada, ou seja, a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, implica novos desafios, principalmente a adequação de currículos às novas realidades e motivações e o compromisso dos agentes principais da educação: a família, a escola e as empresas.

O alargamento do ensino deve respeitar limites que mantenham um nível de exigência e qualidade que impeçam que tudo se transforme em valores estatísticos. A exigência e o rigor devem ser dimensionados para cada tipo de ensino e ciclo de formação. Nas comparações internacionais com métodos reconhecidos como o PISA, em Portugal só 0,8% dos alunos conseguiram nota máxima a Matemática (nível 6), enquanto na Finlândia e Suíça ultrapassaram os 6%, ou na Coreia do Sul são mais de 9%.
Apesar de ter melhorado os indicadores nos últimos anos, Portugal continua abaixo dos resultados médios da OCDE.

A EPB participou, desde o primeiro momento, na construção de vários referenciais de formação de diversos cursos profissionais de nível V, documentos indispensáveis que devem ser dinâmicos e adaptados aos avanços tecnológicos e às realidades regionais e nacionais.
Em Informática, como núcleo central do currículo, defendemos o reforço no estudo e aperfeiçoamento da língua, o raciocínio lógico (reforço da Matemática), as línguas estrangeiras, a cidadania, as atitudes e os comportamentos.

No plano técnico destacamos o domínio das competências no manuseamento dos sistemas operativos: Windows e Linux, a Certificação CISCO; as ferramentas Adobe: Dreamweaver e Flash; a algoritmia e a programação: Lazarus, C# e Java e as bases de dados: SQL e PHP. Em cursos desta natureza é indispensável o contributo dos empresários na construção do referencial de formação.

Os estágios realizados pelos formandos no 2.º e 3.º anos do curso, assim como a presença dos empresários e quadros técnicos no júri da Prova de Aptidão Profissional individual de cada aluno, são um grande contributo para aferir da adequação do perfil profissional de cada curso. Os estágios internacionais permitem-nos refletir e comparar a uma escala global.
É importante referir que as empresas consideram como determinantes as chamadas capacidades habilitantes: trabalho em equipa, adaptação à mudança, liderança, iniciativa, responsabilidade, etc.

Portugal vive um tempo difícil. Nos últimos meses, os meios de comunicação só falam de juros, impostos e PIB. Deixo a questão: qual a relação do PIB com a educação? Os argumentos podem ser exaustivos - se nos lembrarmos do antigo bloco de leste e de Cuba - no entanto, ninguém duvida que um país iletrado, com altas taxas de abandono escolar, tem maiores dificuldades de inovação e crescimento económico. Sem conhecimento é difícil fazer bem. Para aqueles que apontam a nossa falta de produtividade à fraca dotação humana, deixo aqui o exemplo do Luxemburgo, onde os portugueses passam a ser exemplo de produtividade.

A educação não é um processo limitado no tempo, mas antes um projeto em que todos participamos como atores, seja como estudantes, pais, educadores, professores ou cidadãos conscientes. O exercício da cidadania pode ser uma consequência imediata de uma educação ajustada, considerando o comportamento, a atitude e uma forma de ser, estar e fazer, em termos individuais ou em grupo, ou seja, a participação ativa nos problemas da sociedade e o respeito pela diversidade e pelas diferenças no mundo cada vez mais global em que vivemos.

Para finalizar, identifico algumas áreas de atuação política a médio prazo que devem decidir o futuro das escolas portuguesas no nível básico e secundário: a melhoria dos equipamentos, a formação de professores, a melhoria dos currículos, a avaliação do sistema educativo, a autonomia e gestão das escolas, o combate ao abandono escolar e a promoção do ensino-aprendizagem ao longo da vida.

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