Enfermagem: cuidar de pessoas e/ou cuidar de números?

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Os cuidados de enfermagem têm sido, na saúde e na doença, conside-rados os mais relevantes e imprescindíveis no seio do cuidar humano. Essa valoração é evidenciada pelo Cidadão nos inquéritos realizados e pelas entidades empregadoras, públicas e privadas, no número de admissões de recursos de enfermagem, pese embora esse número estar aquém do necessário.

Não há Organização de Saúde que não tenha no seu quadro de pessoal, enfermeiros. Esses profissionais existem, porque o direito à saúde e os cuidados prestados ao cidadão, assim o exigem e obrigam.

A essência desses cuidados impõe um cuidar humano, carregado de princípios e valores que o conhecimento de Enfermagem na sua génese contém e, melhor, responde! Esse conhecimento que começou por ter uma evidência empírica - Florence Nigtinghale (1820-1910) -, rapidamente demonstrou nos seus registos, que por detrás do fazer, está um saber fazer. Este saber foi incorporando conhecimentos nos domínios científico, técnico e relacional/humano, transformando-se no conhecimento actual de enfermagem.

A actividade de enfermagem, como as restantes actividades de outras áreas de saúde, sempre teve e tem um preço e respectivos custos nas organizações de saúde, públicas ou privadas. Os gestores dessas organizações respondem e ultrapassam estes encargos com alguma sustentabilidade financeira.

Os enfermeiros na área de gestão, dependendo do contexto, foram e são profissionais competentes, atentos e responsáveis que muito contribuem para a minimização desses custos. Porém, o sector público de saúde, como outros sectores estruturantes da sociedade, foi e é ainda suportado pelo financiamento do Estado (orçamento), conforme defende a Constituição Portuguesa.

Portugal atravessa sérias dificuldades económicas e financeiras, em particular, na área da saúde. O preço e os custos dos cuidados de saúde passam, hoje, a ter um outro olhar: um olhar mais estatístico (cálculos, números), e menos social (humano). Presentemente, nas organizações de saúde, fala-se “mais em cuidados a ter com os números”. Fala-se “menos em cuidados a ter com as pessoas”.

Como Enfermeiro preocupa-me o estado a que as coisas chegaram. Preocupa-me a situação económico-financeira do meu País. Preocupa-me os números dos custos dos cuidados de saúde. Preocupa-me a profissão de enfermagem. Preocupa-me o estado social das pessoas. Preocupa-me o futuro do cidadão, ser humano utilizador e necessitado de cuidados de saúde.
Perante estas preocupações, questiono-me e questiono-vos: Cuidar de pessoas e/ou Cuidar de números?

Jorge Cadete (enfermeiro especialista de Saúde Mental e Psiquiatria, e presidente da Mesa da SRN da Ordem dos Enfermeiros)

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