É urgente integrar o sistema desportivo

Ideias

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Pedro Dias

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Tenho referido neste espaço alguns aspectos que, na minha opinião, poderão contribuir de forma decisiva para melhorar os hábitos de prática e consequentemente, elevar a participação desportiva da população Portuguesa. Já foi feita uma abordagem à relevância do planeamento e localização das instalações desportivas, da importância do sistema educativo neste domínio, do compromisso assumido pelo actual governo neste domínio, vertido no programa que foi sufragado nas últimas eleições legislativas.

Insisto no programa do governo para o desporto, porque me parece lógico que este seja o documento orientador para o desporto português nos próximos 4 anos. O preâmbulo não podia ser mais esclarecedor: “O PSD entende o Desporto como uma componente essencial do desenvolvimento integral dos cidadãos e pretende criar condições para estimular, não só o desporto escolar, mas também o desporto amador, e o de alto rendimento e ao mesmo tempo estimular a população portuguesa a ser mais activa na prática do exercício físico”.

A relevância da prática desportiva regular e os baixos índices de prática desportiva da população portuguesa são tema incontornável da nossa sociedade. Apesar de ser uma tarefa complexa, deverá existir por parte do governo uma liderança forte na definição do caminho, para que todos saibam para onde têm de ir. Ao movimento associativo, sistema educativo e demais stakeholders implicados no processo desportivo, a cooperação estratégica terá de estar na ordem do dia, caso contrário, será muito difícil percorrer esse caminho.

Temos tipo alguma dificuldade no léxico, a terminologia desporto escolar, desporto federado, desporto universitário, entre outros, não ajudam nada, as campainhas das “quintinhas” batem a rebate quando ouvimos “estórias” do passado recente, relacionadas com a dificuldade de trabalhar em prol do desenvolvimento desportivo nestes subsistemas. Desporto na escola, Desporto no clube, Desporto na universidade, Desporto na rua, em suma DESPORTO! Não será esta uma mensagem mais clara e objectiva, temos de falar de DESPORTO, para que nos possamos entender, contribuindo desta forma para melhorar a cooperação e integração do sistema desportivo.

O estado delega competências públicas nas federações desportivas, através da concessão do estatuto de utilidade pública desportiva, além disso, possuiu um instrumento de financiamento denominado contrato programa de desenvolvimento desportivo, onde o estado contratualiza com as federações desportivas a atribuição de apoios financeiros. Na minha opinião, a estrutura do articulado dos contratos programa terá de integrar a orientação política do governo para a área do desporto, através do estabelecimento de objectivos e metas, alguns deles quantitativos, orientados com os objectivos chave para a mudança definidos pelo governo no programa que apresentou ao país.

O contrato programa de desenvolvimento desportivo entre o estado e as diversas entidades desportivas, tem de referir expressamente que através do DESPORTO, e dos meios disponibilizados, tem de existir uma cooperação integrada entre as entidades beneficiárias, devendo estas cooperar e colaborar no aumento do número de praticantes desportivos no país, entre outros aspectos.

No discurso de tomada de posse do actual Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Dr. Fernando Gomes, foi referido que: “Temos de democratizar o acesso à prática do futebol. Em Portugal ninguém pode deixar de jogar, de treinar e procurar a sua sorte por dificuldades financeiras. Vamos lançar um programa abrangente de incremento da prática da modalidade, seja futebol de 11, de 7, masculino, feminino, praia ou futsal. Se nas escolas de Portugal faltarem os campos de futebol de 11, há que unir esforços com o Estado, no sentido de levar o futebol à escola. Queremos a prática do futebol em todas as escolas de Portugal, de Norte a Sul, do litoral ao interior e às regiões autónomas”.

Esta fortíssima mensagem do Presidente da FPF ao governo, demonstra claramente que terá na FPF um parceiro activo para alcançar os objectivos propostos no programa do governo relativamente ao aumento da prática desportiva. Falar de democratização do acesso a essa prática, é um passo fundamental para, juntos: governo, federações, clubes, escolas, universidades e demais stakeholders, trabalharem na construção de um futuro melhor para o desporto português.

A mensagem do presidente da FPF, sendo esta a maior federação desportiva do país, contribuirá de forma decisiva para despoletar um processo que promova a integração do sistema desportivo, que coloque as entidades a comunicar e a trabalhar, que arrume de vez com “as quintinhas” e os problemas de léxico, promovendo desta forma o acesso democrático à prática desportiva num sistema integrado onde o elemento mais importante é o praticante, não o ego de alguns.

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