Atualizar. Uma necessidade?

Ideias

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José Esteves

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Nos últimos anos temos vivido tempos de grandes mudanças a vários níveis, consequência de um conjunto de medidas, políticas e opiniões que nem sempre são as mais ajustadas às reais situações da economia portuguesa! Não quero, com este pequeno texto, criticar o que foi feito até hoje, mas sim manifestar um ponto de vista. É com grande apreensão que vejo o futuro.

Assistimos a uma degradação do mercado de trabalho que acaba por influenciar os vários setores de atividade, não passando ao lado da formação. Muitos têm sido os esforços dos governos para formarem jovens com as “ferramentas” adequadas para enfrentarem o mundo hostil do emprego. Será que apostar no conhecimento técnico especializado é suficiente para ajudar o país a retomar o rumo certo? Tenho algumas dúvidas sobre isso!

Desde há uns bons anos para cá o número de alunos que terminaram cursos profissionais tem vindo a aumentar, mas, de certa forma, parece que não é suficiente. É necessário garantir que a formação seja de qualidade e ajustada às necessidades reais das empresas. O “catálogo” de cursos profissionais em Portugal é muito diverso, contudo, sabemos que é necessário apostar numa aproximação das escolas às empresas, nos vários setores de atividade, se quisermos que os nossos jovens tenham um bom desempenho e passem rapidamente para uma fase produtiva eficaz.

Será que os nossos jovens estão preparados para tão nobre tarefa? Na minha humilde opinião, acho que temos de educar os jovens para darem outro sentido à escola, e aproveitarem todo o percurso para se tornarem técnicos mais competentes e produtivos. Nesse sentido, a EPB mantém como uma das suas bases de trabalho uma promoção do empreendedorismo e criatividade, sem esquecer os valores da humildade e responsabilidade, como complemento às aprendizagens adequadas a cada caso.

Nos cursos de cariz mais tecnológico que coordeno, noto que é necessário proceder a alguns ajustes na matriz curricular, para ir ao encontro das necessidades das empresas. Considero que a base de estudos não contempla uma série de matérias consideradas de grande importância para a profissão. Nos últimos contactos estabelecidos com as empresas do setor, ficou bem evidente que, além do conhecimento teórico e prático, muita informação não vem diretamente escrita nos livros, mas resulta de uma aprendizagem ao longo da vida, o que me leva a desafiar as empresas a colaborarem com a escola para trazer essas aprendizagens. Até que ponto será isso possível?

Efetivamente são os profissionais no ativo, que enfrentam o dia a dia, que podem contribuir com um conjunto muito vasto de conhecimentos e técnicas, que nem sempre podem ser ensinadas/realizadas na escola, por escassez de meios financeiros.

Tendo em conta que um dos objetivos do ensino profissional assenta no “saber fazer” é necessário aproximar os jovens do que é significativo, promovendo aulas dinâmicas, tendo em conta que nem sempre se consegue mudar a mentalidade nem a forma de pensar de alguns, assentando numa heterogeneidade dos alunos que compõem as turmas. Sou levado a dizer que cada vez é mais difícil encontrar quem realmente quer tirar partido da formação, e não se limita a procurar alternativas para completar a escolaridade obrigatória.

Temos que ser realistas e pensar que os jovens educados nos tempos atuais não cultivam os mesmos valores dos jovens educados há algumas décadas atrás. Muitos jovens não valorizam a escola, muitas vezes são obrigados a frequentar as aulas, estão desmotivados e desinteressados. Acima de tudo, é necessário reeducar e fazer sentir que formar um técnico é algo que demora e só se consegue com muito trabalho. Nesse sentido, como profissionais da educação, temos algo a dizer e fazer… Fazer sentir que o esforço, dedicação, respeito e empenho são a base do sucesso em qualquer atividade profissional!

É com orgulho que sentimos que a EPB continua a ser um escola de referência no que diz respeito à procura de alunos por parte das empresas, nas várias áreas de formação e mais recentemente na área das energias. É objetivo de todos os docentes continuar a trabalhar para não só alcançar como também consolidar os resultados até aqui obtidos, mas certamente esta não será uma missão fácil se não houver uma inversão do pensamento dos jovens…

A par de toda a formação profissional, apesar de ter sido objeto de algumas críticas, é fundamental que as escolas profissionais e outras instituições associadas a este tipo de ensino se unam para marcar a sua posição, funcionando como marco na educação. Refiro-me à rede das escolas. Esta rede funcionou, no passado, como um espaço de reflexão sobre conteúdos programáticos e desenho de planos curriculares, que apesar de se terem cometido alguns erros, acabaram por contribuir para a melhoria do nosso sistema de ensino profissional.

Chegamos ao ponto em que é necessário retomar um trabalho colaborativo no sentido de promover ajustes e marcar a posição das escolas profissionais no panorama nacional do ensino profissional.
A atualização do ponto de vista dos conteúdos programáticos de cursos predominantemente tecnológicos só faz sentido se estiverem envolvidas, para evitar erros mais grosseiros, pessoas conhecedoras da realidade das empresas e das escolas, entendidas no desenvolvimento curricular de cursos, contando com as experiências adquiridas por cada escola, ao longo dos últimos anos.

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