Em tempo de crise, a cadeira não está em saldos

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Vivemos momentos de crise. A sociedade civil procura incessantemente respostas e soluções para o problema. Quem não se identifica com o sistema político vigente, age como predador enraivecido procurando alternativas que nem sempre são as melhores, tão pouco as mais viáveis. O manifesto: “Instaurar a Democracia, restaurar a Monarquia” do qual resultou um intenso debate nos media, é um desses exemplos (o mesmo pode ser consultado em: http://oourico. blogs.sapo.pt/81904.html). Este apela a uma alternativa monárquica ao sistema político vigente.

Antes de avançarmos para a temática em si, julgamos que é de todo pertinente efectuar um bre-ve contexto histórico; faremos um enquadramento das mutações políticas de finais de século XIX e inícios do século XX. Desde o Ultimatum de 1890 até 1908, ano do Regicídio que vitimou D. Carlos e D. Luís Filipe, Portugal viveu momentos de extrema instabilidade entre monárquicos e republicanos. A ascensão de D. Manuel II ao poder, apesar dos esforços do jovem monarca, não apaziguou estas tensões que culminaram com o 5 de Outubro de 1910 e consequente vitória republicana, sistema político que ainda hoje é vigente.

Os tempos são difíceis. A economia está fragilizada, a justiça e a saúde idem mas o modelo governativo nunca foi colocado em causa. Até que ponto é que a competência se revela pela descendência e não pela eleição democrática? Até que ponto o rei não tem as suas convicções políticas, o rei não vota? Não tem amigos? Não tem clientelas? Um rei não é um Deus, tão pouco um salvador da pátria. É um homem. Não é imaculado.

Não obstante a respeitarmos a opinião dos monárquicos, julgamos que um rei não é opção e muito menos o herói que nos vai retirar desta crise. Os momentos que vivemos pedem união e solidariedade social, seria mais responsável que unanimemente, despidos das nossas convicções políticas, lutássemos por um só objectivo: Portugal.

Por muitas estórias de reis e rainhas que nos tenham sido contadas na infância não cremos que seja a história (qual Clio) a indigitar o nosso governante. Concorda caro leitor? É importante referir que a nossa pretensão nunca foi criticar as ideologias de certos grupos de cidadãos, mas sim expor o nosso ponto de vista que, até ver, corresponde à esmagadora maioria da população portuguesa. Na verdade, em Portugal, a monarquia é somente história.
Lamentamos mas no nosso país não existe trono. Existe uma cadeira presidencial que, bem ou mal representada, corporiza a decisão dos portugueses através do voto.


André Rocha e David Vieira

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