Competências pessoais e profissionais

Ideias

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José Oliveira

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Mal se entra na Escola Profissional de Braga deparámo-nos com um placard onde se explicita a sua missão, visão e valores.
Declara-se na missão: “Qualificamos e orientamos jovens e adultos assentando em padrões de qualidade, exigência e inovação”. Esta foi, aliás, a formulação encontrada por um grupo de trabalho, constituída por pessoal docente e não docente, durante uma longa ação de formação sobre gestão estratégica.

O conceito de qualificação tem de ser compreendido ora na sua multidimensionalidade, ora por-que ultrapassa a esfera do saber técnico, ora porque se alia, em certa medida, ao conceito de competência. Mais educação, melhor educação e equidade social são conceitos que estão também subjacentes a este conceito de qualificação traduzido na aposta de medidas políticas de urgência na elevação das qualificações dos portugueses e de generalização do ensino secundário.

Deste modo, e servindo-me da Recomendação n.º 2 do Conselho Nacional de Educação sobre o Estado da Educação - a Qualificação dos Portugueses- publicada a 30 de janeiro de 2012, a qualificação abrange “as formações escolar e profissional, adquiridas nos diferentes níveis de ensino e em diferentes contextos, quer de formação inicial, quer de formação contínua, quer ainda de saberes reconhecidos ao longo da vida em ambientes formais, não formais ou informais.”

A qualificação ancora-se numa relação privilegiada entre a educação, a economia e o trabalho, entre o sistema educativo e produtivo e esforça-se por integrar múltiplos sentidos - educativo, cultural, científico, tecnológico e profissional. Além disso, projeta-se como companheira da trajetória académica e profissional de jovens e adultos ao longo da vida, constituindo-se numa plataforma que proporcione a libertação das potencialidades dos indivíduos e a sua consequente maior responsabilização pela detenção de competências capazes de serem absorvidas pela nova economia.

Segundo o Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (UNESCO), a educação deve constituir-se em torno de quatro aprendizagens basilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Apesar destes pilares nos colocarem em trânsito entre a pedagogia e a andragogia, num continuum entre formação inicial de jovens e a aprendizagem ao logo da vida, fácil nos é concluir que as instituições educativas têm-se sentido mais à vontade em se estruturarem e organizarem para responder à construção do primeiro e segundo pilares, que têm com certeza e devem continuar a ter o merecido relevo.

Certo é que diversas iniciativas, nomeadamente estágios em contexto empresarial, dinâmicas promotoras do empenhamento, sentido de responsabilidade, autonomia, presentes em debates, colóquios, worshops, e em muitas das provas de aptidão profissional, criam momentos de revelação das potencialidades dos alunos, da riqueza da interação entre alunos e professores e da escola com o tecido empresarial.

Reconheça-se que a Escola não se pode furtar à aquisição e desenvolvimento de um elenco de valores e atitudes úteis para a vida, à integração social e profissional. Não nos estamos a referir aqui somente a muitos que devem ser limados, polidos, adquiridos e aprofundados como comportamentos básicos e instauradores de uma boa interação social.

Referimo-nos àqueles que contêm aprendizagens, muitas delas inseridas nas diversas disciplinas, que fazem hoje parte do compromisso de cada indivíduo consigo mesmo, com os outros e com a natureza, compromissos resultantes de uma maior (necessidade de) consciencialização individual e coletiva e com o facto de a cidadania já não conter somente os preceitos cívicos para os territórios geográficos, sociais de há décadas. A cidadania contém a globalização, o cosmopolitismo, o multiculturalismo, a internacionalização, o ambiente, a educação para a saúde, as redes sociais, etc.

Ainda no que concerne à educação para as atitudes e comportamentos e pensando no terceiro e quarto pilares da Educação para o Séc. XXI- aprender a conviver e a ser - reconhecemos que há - e ainda bem - um espa-ço para o crescimento da inovação metodológica e organizacional, que poderá de forma mais estruturada integrar dinâmicas de aprendizagem de competências que agregam ora o desenvolvimento das qualidades singulares de cada indivíduo, das competências psicossociais relevantes para a sua integração em contextos empresariais, sejam os que se relacionam com as tarefas ou objetivos a executar, seja os que facilitam as interações humanas positivas que constituem também um fator de êxito pessoal e organizacional.

Com um ambiente familiar que resulta fundamentalmente da sua dimensão, na ordem dos quinhentos alunos, e da sua cultura organizacional, a Escola Profissional de Braga reúne condições invejáveis para o desenvolvimento de um serviço educativo de grande proximidade, exigência e rigor: valorizando o desenvolvimento científico, o sentido humanista e uma relação com o tecido empresarial.

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