Doha a quem doer

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Paulo Ferreira

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No passado dia 20 Fevereiro, a delegação responsável pela candidatura da cidade de Doha aos Jogos Olímpicos de 2020, apresentou o seu dossiê aos responsáveis do Comité Olímpico Internacional (COI). Esta apresentação vem no seguimento da aceitação por parte do Comité Executivo do COI do pedido para realizar o evento no Outono, fora do período normal de 15 Julho a 31 Agosto.

O pedido da capital do Qatar baseia-se na lógica decorrente do facto de existir um real perigo para atletas e participantes se expostos ao calor extremo no período veraneio. Com temperaturas acima dos 50º C nesse período, a candidatura estaria condenada ao insucesso. Mas uma emenda ao processo de candidatura para os Jogos Olímpicos de 2020 permitiu aos comités Olímpicos nacionais informarem o COI se estavam a propor uma mudança às datas habituais. E assim, eis que se tem a proposta para os JO de 2 a 18 Outubro 2020.

Apesar de ter possuído um dossiê técnico forte, este pormenor da calendarização foi res-ponsável pela eliminação precoce de Doha na corrida aos Jogos de 2016, posteriormente atribuídos à cidade brasileira do Rio de Janeiro.

Mas desta vez nada está a ser deixado ao acaso. A candidatura de Doha já recebeu o apoio das principais federações desportivas internacionais constituintes do programa Olímpico. A maior resistência poderá vir da FIFA, uma vez que as principais ligas profissionais iniciam em Agosto. O facto de estarmos a 8 anos também permitirá às federações internacionais adaptarem os seus calendários de competição.

Mas a complexidade e o nível de preparação não ficam por aqui - a este nível nada é deixado ao acaso. O projecto técnico da candidatura é exemplo disso. O Plano dos Jogos de Doha é a todos os níveis excepcional, sendo constituída por cinco zo-nas: o “Games Center” que inclui a aldeia dos atletas e o “main media centre”; o “Doha Olympic Park”, local das cerimónias de abertura e encerramento, e ainda de algumas competições desportivas; o “Aspire Zone” local desportivo icónico a nível mundial e onde se localiza o estádio de atletismo; o “Education City” e, por fim, o “Water Park” para as competições desportivas náuticas.

As cinco zonas terão um tempo médio de viagem, para atletas e média, de 21 minutos do “Games Centre” para cada local de competição. Estarão igualmente disponíveis 50.000 quartos de hotel e apartamentos com serviço, num raio de 15 Km da maioria dos locais de competição.

Outro aspecto excepcional nesta candidatura tem a ver com o orçamento específico para os Jogos. Paradoxalmente ao que seria de esperar desta região do mundo, o orçamento associado aos JO é praticamente inexistente. E isto deve-se à existência do “Qatar National Vision 2030”, um projecto de investimento no país que visa aproximar o Governo e o desporto como ferramenta de desenvolvimento.

Segundo consta do dossiê de candidatura, 35% das instalações desportivas a serem usadas nos Jogos já estão construídas, e 56% adicionais já estão planeadas e orçamentadas. Estas estruturas incluem-se no referido programa de desenvolvimento de 50 biliões de US$ e que incluem o novo aeroporto internacional de Doha e um sistema de metro que ligará 78% das instalações planeadas para 2020.

E o impressionante é que estas estruturas serão construídas independentemente da candidatura ter sucesso ou não. O custo minimal será com os restantes 9% que serão na totalidade infra-estruturas temporárias.
Com o anúncio a 7 Setembro 2013, esta será por certo uma corrida interessante com Madrid, Istanbul, Tóquio e Baku. Mas pelo que já se vê, há quem queira ganhar - Doha a quem doer.

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