A escola: lugar privilegiado do uso das palavras

Ideias

autor

Maria Teresa Machado

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Aparte inúmeras definições e conceitos sobre a comunicação, é de entendimento comum que esta contribui para um crescimento positivo e saudável na vida de todos nós, particularmente na faixa de desenvolvimento da adolescência. Garante-se até que a boa comunicação fomenta os níveis de desempenho desejáveis, quer em tecido educativo, quer em texturas sociológicas.
A escola, espaço de grácil privilégio do ato de comunicar, autoriza-nos a experiências marcadamente subjetivas, únicas e indeléveis determinadas pela interação entre a pessoa e o seu contexto, ou seja, pelo modo como interpreta o que a rodeia.

A maioria dos adolescentes, geração enclítica da era digital, nega a oportunidade de se envolver na comunicação com outras gerações, decerto considerará que a voz dos outros, uma espécie de heteroentes, (como o velho termo “entes queridos”) é uma invasão ao mundo construído com os seus próprios materiais: peças conectadas a outras dimensões, às vezes virtuais, emoções de areias movediças, valores cimentados nas memórias de infância, lá esse lugar onde gostariam de pertencer ad eternum, sem admitir que crescer dói e é preciso orientação de mãos maduras: os pais, os professores, os demais… Onde que-remos chegar?

Ensinamos nas salas de aulas que o ponto de interrogação serve para fazer uma pergunta, nalguns casos obtemo-la, porém noutras acontece que a pergunta é puramente retórica, favorecendo a alavanca à aptidão de pensar.
Pensemos, então, como é que nós, gerações mais velhas (experientes, maduras, cientificamente preparadas e pedagogicamente qualificadas, por vocação, profissão, ou intuição filial, paternal, maternal, ou tudo em miscelânea de humanidade) comunicamos com os mais novos, com os outros, os nossos pares, os que emanam diretrizes, os que as cumprem, ou os que nem por isso, os que esperam a urgência da palavra certa?

Sem querer virar o cenário do avesso, trago à borda do texto a problemática das escolas de massas e a interação seletiva a que ela dá acesso, numa perspetiva de afluência composta de diversidades. A própria estrutura do sistema educativo português aponta para essa diferença, assim vamos encontrando nas nossas escolas grupos de jovens alunos plenos de heterogeneidade, em termos de valores, princípios, cultura, recursos e literacia. Até aqui nada de novo. Poderia mencionar-se que a escola inclusiva ou a escola de massas traduz fragilidades ao processo comunicativo, particular e especificamente a todos os que se veem envolvidos na interação com uma clientela de “ouvido duro”.

E, se agora mudássemos o ângulo de visão? Algures, pelo mês de fevereiro, o jovem escritor, polémico, sarcástico e bom comunicador, Pedro Chagas Freitas esteve à conversa com os alunos da EPB, dando-lhes uma aula de, nas palavras do escritor, Quacomunicação. Este neologismo, talvez empréstimo de sua autoria rebelde, não quer dizer mais nada do que Qualidade na Comunicação, sustentada pela importância que Chagas Freitas deu à capacidade de comunicarmos bem.

Citou a frase bíblica, do Génesis “No princípio era o Verbo…” e o verbo, como sabem até os mais esquecidos das aulas de Português, é a ação, todavia antes de ser ação é uma palavra. Aqui já nos entendemos: a palavra leva à ação. As palavras podem ser opacas, cristalinas, vazias, não obstante criam no recetor ações, e estas serão inevitavelmente moldadas pelo timbre, entoação, sonoridade, expressividade corporal que, mais cedo ou mais tarde, ditará a boa ou má ação.
Quiçá, estejamos a falar de linguagem estratégica que poderá fomentar a escolha racional de atitudes e comportamentos. Não serão as palavras parte integrante da construção psicossocial, cultural, da visão do mundo, da dimensão de nós próprios?

É assim que se pensam as palavras na Escola Profissional de Braga, ao desencadear a condi-ção legítima de ensinar e fazer aprender, formando cidadãos de consciência cívica.
Vejamos, a título de infindáveis exemplos o que acontece na EPB: palestras, encontros, conferências, debates, workshops, festivais, estágios - nacionais e transnacionais - parcerias e protocolos e tantas coisas mais que transformam este subsolo educativo em terra fértil de aprendizagem real. Ramificam-se áreas de conhecimento pelo veículo de palavras matemáticas, gráficas, estrangeiras, económicas, audiovisuais, energéticas, civis, administrativas, jurídicas, clínicas, informáticas, eletrónicas… e sabe-se mais lá o quê. Certo é que se pertence à vida, vive-se na EPB.

Não haverá outro lugar no mundo como a escola: palco de atuações, permite ensaios, privilegia bastidores, o elenco é múltiplo, os encenadores e produtores, experientemente sensíveis, têm o propósito de trabalhar para o bem comum, os cenários são reais ou procuram qualquer semelhança com a ficção. Por fim, o guião aponta Futuro.

E, num rasgo de construções metafóricas, talvez démodé para alguns, é justo que se diga que a Escola Profissional de Braga tem sido tipo um farol (deixemos esta palavra que agrada aos jovens, dá-lhes um sentido de precisão na imprecisão pobre do vocabulário que o mundo lhes oferece) na orientação dos alunos/formandos assente numa formação para a vida.

Se bem que se avistem muitos portos, tanto mar e todo o género de marinheiros, deixemos que se orientem pela luz deste farol educativo e se deixem conquistar pelo bom uso de palavras.
Por elas e com elas, seremos capazes de modificar os níveis de sucesso construído numa linguagem de respeito e assertividade.

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