Bons cuidados de enfermagem significam coisas diferentes para diferentes pessoas

Ideias

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Maria Rito

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Nada melhor do que pegar no spot publicitário ‘O Abraço’, que a da Ordem dos Enfermeiros escolheu para este ano celebrar o Dia Internacional do Enfermeiro, a 12 de Maio, para definir o que é a enfermagem. Dar e receber abraços encerra, ainda que simbolicamente, todo o sentido do cuidar, que reúne todos os termos do conceito.

Tendo sido reconhecida como profissão apenas no século XIX, a enfermagem, tem acompanhado as mudanças sociais, e assim, as novas necessidade de cuidados apresentadas pelos cidadãos. Atualmente, ao constituir-se uma comunidade profissional e científica de grande relevância no sistema nacional de saúde e na garantia do acesso da população a cuidados de saúde de qualidade, a enfermagem assumiu reger o seu exercício por três enunciados descritivos (OE, 2001):

1) A saúde, considerada ao mesmo tempo um estado e uma representação mental, que varia no tempo, conforme os desafios que cada um enfrenta e a forma como consegue ultrapassá-los;
2) A pessoa, que é um ser social que age intencionalmente de acordo com os seus valores, crenças e desejos individuais e que é influenciada pelo ambiente em que vive;
3) O ambiente, em que as pessoas vivem e se desenvolvem, que é constituído por elementos, humanos, físicos, políticos e económicos, culturais e organizacionais que condicionam os estilos de vida.

Assim, pode dizer-se que, o enfermeiro focaliza a sua intervenção na interdependência pessoa/ambiente, orienta a sua prá-tica cuidando ao longo do ciclo de vida, procura promover a interação entre o homem e o ambiente e fortalece a coerência e a integridade do corpo e da mente humana. Para isso, na tomada de decisão, assim como na implementação das intervenções, o enfermeiro incorpora os resultados da investigação.

As questões da equidade em saúde, atualmente, têm merecido o interesse dos investigadores, sobretudo em duas dimensões: Uma primeira, em relação às condições de saúde - que analisa a distribuição dos riscos de adoecer; E, uma segunda, em relação à utilização dos serviços de saúde. Vários estudos apontam para a evidência de que, a equidade na distribuição das oportunidades para fazer escolhas saudáveis e ter maior ou menor acesso aos cuidados em saúde, estão intimamente relacionadas com os níveis de saúde e bem-estar.

Outros fatores, não menos importantes do que os anteriores, que importa aqui valorizar, di-zem respeito às variações biológicas existentes entre os indivíduos, como o sexo e a idade, que determinam diferenças nas suas formas de sofrer e adoecer. Os fatores pessoais, sociais, económicos e ambientais interagem uns com os outros influenciando a saúde dos indivíduos e dos grupos sociais ditando diferenças que, ora se apresentam sob forma de vantagens, ora se apresentam sob a forma contrária. Por sua vez, estas diferenças, conforme as distintas interpretações sociológicas, são por uns legitimadas e consideradas como naturais, e por outros, consideradas injustas (Escorel, 2011) e merecedoras de intervenção.

Os pobres, grupos sociais economicamente mais vulneráveis, apresentam maior frequência de distribuição de doença (WHO, 1999). Por seu turno, as mulheres, apesar de se sentirem mais apoiadas do que os homens para resolverem os seus problemas de saúde, apresentam perante estes, diversas desvantagens - sofrem mais de stress crónico, mais humilhação e violência doméstica, tomam mais medicação para dormir, sentem-se menos amadas e têm menos oportunidades de lazer, entre outras (Rito, 2009).

Hoje, é consensual que muitas das desigualdades em saúde são evitáveis e exigem medidas concretas para a sua redução. Este reconhecimento justifica que, na vez de se oferecerem cuidados de saúde iguais para todos, se faça uma discriminação positiva, e se ofereça mais a quem mais precisa.

Considerando ainda que, cada um sente de forma única e com intensidade própria as suas necessidades de saúde, os enfermeiros sabem que “bons cuidados” significam coisas diferentes para diferentes pessoas, e que, para combater as iniquidades na saúde, é preciso ter muita sensibilidade para lidar com essas diferenças (OE, 2001).

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