A esperança de um bom ano escolar

Voz às Escolas

autor

Vasco Grilo

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O novo ano escolar inicia-se sob o signo da incerteza, dadas as alterações legislativas que, em catadupa, caíram sobre as escolas. A rábula da indicação da componente letiva (horários zero) acabou por se resolver em parte, em agosto, altura em que as matrículas começaram a ficar definidas de forma segura. Apesar de muitos docentes do quadro terem visto a sua situação resolvida, há menos professores nas escolas fruto das alterações curriculares e da implementação das novas regras de distribuição do serviço docente. A juntar a tudo isto, a entrada em vigor do novo modelo de gestão e administração das escolas irá provocar a curto prazo a constituição de novos agrupamentos de escolas, com o que isso implica em termos de ajustamentos normativos na gestão das mesmas: alterações aos regulamentos internos; constituição de novos órgãos de gestão e administração; reestruturação de métodos, de objetivos, de programas, e de outras mudanças que seria fastidioso enumerar. A incerteza será, neste contexto, uma consequência lógica do acontecer brusco de tantas mudanças, mas ela traduz ainda a parte desconhecida que se pressente que aí virá. Incerto o presente, incerto o futuro. Quais as consequências deste estado de coisas para a educação em Portugal?
Há, contudo, uma outra face da moeda, que tem a ver com o trabalho das escolas. Feito o trabalho de casa, apesar da complexidade da situação criada pela entrada em vigor das novas regras, no próximo dia 14 de setembro será possível iniciar o novo ano letivo de forma tranquila, com a casa arrumada, as turmas constituídas, os professores colocados e novamente o tecer do dia-a-dia em direção ao objetivo principal: o sucesso escolar dos alunos. As escolas portuguesas continuam a ser um oásis de estabilidade, persistindo em levar a bom porto a sua nobre missão de formar e educar os cidadãos de amanhã.
No dia 14 de setembro iniciar-se-ão as aulas, abrindo-se assim um novo ciclo que todos desejamos que seja profícuo. Acontecerá isso na Escola Secundária D. Maria II, como, estou certo, acontecerá nas restantes escolas portuguesas. A normalidade possível continuará a marcar o quotidiano das escolas, fruto do labor abnegado de todos quantos nelas trabalham.
Qual é então o meu desejo? Que tudo corra bem, apesar de todas as vicissitudes em torno da estabilidade do trabalho docente, e que os nossos alunos possam atingir todos os seus objetivos, com trabalho e mérito, por serem estas as condições de base para o sucesso escolar.
Daí que, por paradoxal que pareça, há lugar para mais certezas do que incertezas. Feitos os ajustes necessários, o foco agora será o essencial, isto é, o trabalho nas aulas. Será aí que iremos concentrar o grosso dos nossos esforços e a maior parte dos nossos recursos. O trabalho nas escolas começa nas aulas e deve ter como centro o trabalho nas aulas. A ação educativa poderá depois ser complementada e enriquecida com as mais diversas atividades de diversificação curricular, mas a base deverá sempre formar-se e consolidar-se na sala de aula.
O papel dos encarregados de educação é igualmente essencial, pelo que representa de apoio à ação dos professores, em união de esforços e comunhão de objetivos. Muitas vezes há a tentação, por parte dos pais e encarregados de educação, de investir menos no ensino secundário, tendo como suporte a ideia de que neste nível de ensino os alunos serão mais autónomos. Creio que parte desta ideia é verdadeira, mas isso não pode querer dizer deixar de intervir. O equilíbrio estará, como sempre, no meio termo, no balanço virtuoso entre a criação da autonomia e a afirmação da responsabilidade. Da nossa parte, tudo faremos para que tal se concretize.
Um bom ano escolar então para todos, seja qual for a posição de partida em que se encontrem.

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