Tempos camaleónicos numa escola singular

Ideias

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Alexandra Corunha

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“No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”
Albert Einstein

Os camaleões não mudam de cor apenas para se camuflarem, mas igualmente para comunicarem com os seus congéneres e assegurarem a regulação da temperatura corporal (termorregula-ção). Os portugueses têm, ao longo dos séculos, sabido aprender a adaptar-se aos desafios, aventuras e desventuras: no mar, na era dos descobrimentos; em terra, com as invasões napoleónicas, a colonização; às atrocidades como a ditadura e o salazarismo, e às atuais adversidades pessoais e profissionais como a perda de emprego, a “obrigação” de emigrar face à precariedade de oportunidades e ao estrangulamento financeiro que, infelizmente, muitas empresas portuguesas enfrentam; acidentes de trabalho, doença, injustiça, incêndios, catástrofes naturais, a não suficiente valorização e promoção nacional do que é bom e do que de bom se faz nes-te nosso pequeno país peninsular, mas grande na capacidade de resistência, perseverança, de suportar os sacrifícios quotidianos e ultrapassar os obstáculos de índole diversa, em especial os burocráticos. O nosso Cavalo de Tróia (não confundir com Troika) galopou e gostou do nosso pasto e o nosso calcanhar de Aquiles chama-se Paciência!

Ouço dizer frequentemente: “Não há outro remédio! Não há outra solução. Temos de ir aguentando. Haja saúde e trabalho!” (mesmo que precário e mal pago). Como dizia Antoine de Saint-Exupéry: “Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções”. Somos ou não guerreiros, fazendo jus ao epíteto dos jogadores do S.C.Braga?

“O português sabe desenrascar-se” define, em parte, a nossa essência, dentro e fora de portas, acarretando, obviamente, todos os sentidos conotativos que este ‘slogan’ transmite. Dei-o ao critério da vossa imaginação! Mas não posso esquecer a nossa Língua, o Fado, a Saudade… elementos integrantes da alma portuguesa. E o nosso Sol, a gastronomia, as nossas riquezas naturais, o nosso património histórico, cultural e artístico, o potencial turístico e vitivinícola, têxtil, calçado, entre outros, a nossa capacidade de bem receber e de ser solidário, de gerir mensal ou anualmente, conforme as atividades/profissões, o parco salário, a agilidade em nos adaptarmos a diferentes contextos e ambientes profissionais, a novas tarefas, às novas tecnologias e às redes sociais com facilidade (na minha página de facebook tenho amigos agricultores seniores com a 4.ª classe)…

Não podemos cruzar os braços e deixarmos de lutar por um futuro melhor para nós e as gerações vindouras. Como? Não tenho a receita milagrosa, mas talvez se comunicarmos melhor uns com os outros, cooperarmos mais, criarmos sinergias, partilharmos as boas práticas, sermos criativos, apostarmos em nós, na nossa educação e formação, o resultado, pelo menos, será bem mais positivo. Nesse aspeto, os americanos têm uma visão distinta da nossa, na maneira de agir, em tempos de crise: apostam na formação para estarem à altura dos desafios profissionais e poderem candidatar-se aos melhores lugares quando houver uma retoma no mercado económico-financeiro.

Recentemente, ouvi, num dos noticiários de TV, que os portugueses começam a ter mais distúrbios de sono, fruto das inquietações que esta crise criou. Os tempos são conturbados e instáveis, provocando danos inclusive a nível da saúde mental dos cidadãos: ansiedade, depressão, nervosismo, medo do futuro,… enfim, uma série de maleitas que têm cura e não só através do tratamento médico (um amigo meu costuma dizer que um copo de vinho tinto, em boa companhia, também ajuda). A receita poderá ser prescrita a dois pacientes: ao cidadão comum - Acredite em si, valorize-se!; e às empresas e escolas - Valorizem e motivem, ainda mais, o vosso capital mais valioso - o humano!

Na EPB procuramos dar as ferramentas essenciais aos nossos alunos para a sua integração no mercado de trabalho, acompanhando-os mesmo no período pós-formação; valorizamos as suas iniciativas e projetos e premiamos o empenho e os resultados alcançados (prémios de mérito escolar e menções honrosas). A EPB tem também feito um esforço no sentido de permitir aos alunos que descubram novos horizontes.

Ao longo dos últimos anos, cerca de 150 alunos já realizaram estágios transnacionais em países como Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Finlândia e Malta, no âmbito do programa comunitário Leonardo da Vinci, desenvolvendo uma visão clara e próxima de outras realidades socio-culturais e vivendo experiências inesquecíveis a nível profissional e pessoal.

A adversidade deve despertar em nós capacidades que, provavelmente, andam adormecidas. Também nós, pais, educa-dores, formadores, auxiliares de educação, temos de continuar a ser mestres nessa arte de nos adaptarmos aos novos desafios que se avizinham, sem contudo, deixarmos de reforçar a nossa identidade enquanto indivíduos e membros da família Escola Profissional de Braga, a bandeira que nos distingue e diferencia dos demais (EPB: Empreender, Profissionalismo, Busca do Saber Fazer, Ser e Estar).

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