Estará a escola a mudar?

Ideias

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Narciso Moreira

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Longe vão os tempos em que as escolas e as universidades formavam os seus estudantes para uma empregabilidade praticamente certa. Com maior ou menor certeza, os estudantes, que prosseguiam os seus estudos, sabiam que o seu investimento na educação, na formação superior, daria os seus frutos, se não a curto, pelo menos a médio ou longo prazo. Esses tempos não são assim tão longínquos…

Atualmente tal situação não se verifica, quem prossegue os seus estudos percebe, no imediato, que a sua formação de base, poderá não ser a base da sua empregabilidade. Esta situação, que, a priori, não é necessariamente má, tem repercussões na escola, na universidade, nos docentes, nos estudantes, em toda a comunidade educativa.

Estas mutações são visíveis na sociedade, de uma forma geral, mas nas empresas de uma forma muito particular. Multiplicam-se as micro e pequenas empresas, sendo estas uma base fundamental da empregabilidade existente. Cada posto de trabalho assume uma importância vital, não há margem para erros no recrutamento, todos os trabalhadores são importantes, têm de estar preparados não apenas para cumprir as suas tarefas, mas também para gerir, analisar, perspetivar, demonstrarem a mais-valia da sua formação, tanto das suas competências técnicas, com, e com muito realce neste cenário, as suas competências transversais (gestão do tempo, desembraço, comunicação, iniciativa, liderança, entre outras). Todos têm um foco da empresa na sua face. Todos são atores principais para que esse negócio vingue, permaneça, e, eventualmente, cresça.

A escola terá então de mudar.
A escola necessita de andar de mãos-dadas com a sociedade, com o tecido empresarial, com as questões sociais, locais, nacionais e transnacionais. A escola não pode ser, de modo algum, uma redoma, isto é, não pode estar fechada em si própria. A escola, através do seu projeto pedagógico deve ser também ela empreendedora, na sua missão, no seu dia a dia, na sua comunicação, na sua gestão diária, nas suas ferramentas e metodologias de ensino-aprendizagem. E não adianta nada, absolutamente nada, ter apenas e só todas estas atitudes perante os alunos que seguem uma via mais profissionalizante.

Os docentes, devem também eles ser incentivados a adotarem uma postura de pesquisa, aprendizagem e crítica permanente. Devem proporcionar o encontro dos seus estudantes com as empresas e com a sociedade, demonstrando o tecido empresarial envolvente, apresentando desafios reais aos seus estudantes, passíveis de serem solucionados pelos próprios, fazendo-os desenvolver competências transversais, importantíssimas para o sucesso pessoal de qualquer estudante, independentemente da sua área científica.

A Betweien (empresa especializada na conceção, implementação e implantação de projetos educativos, centrada em larga medida na Educação Empreendedora), através da sua Academia de Empreendedorismo, conjuntamente com a Braga 2012, Capital Europeia da Juventude, tem, ao longo dos últimos 10 meses, desenvolvido um trabalho de aproximação das escolas, dos docentes e estudantes, às empresas, mas também ao meio, proporcionando-lhes momentos de aprendizagem distintos, fomentando o espírito crítico, demonstrando a existência de outros contextos que necessitam conhecer, apresentando outros ambientes de aprendizagem.

É com especial agrado que vemos, após a hesitação e desconfiança inicial, a adesão das escolas a projetos como “Braga é tua” (dando a possibilidade dos alunos apresentarem propostas ao abrigo do Orçamento Participativo) ou até ao Projeto Intergeracional (em que levamos à escola, a eventos organizados pelos alunos, Role Models de Braga, capazes de motivar os alunos, mas também demonstrando as dificuldades, o trabalho, as vicissitudes de um potencial percurso empreendedor). A escola deve portanto estar preparada para receber bem estes convidados e todas as instituições que disponibilizam o seu tempo para estarem presentes neste tipo de iniciativas, para que as mesmas sejam profícuas, mas também contínuas.

Entusiasma-nos, especialmente, verificarmos que esta semente está já nas escolas e que são os próprios docentes que, neste momento, nos procuram, solicitando o nosso envolvimento, as nossas propostas para novos projetos, novas iniciativas passíveis de suscitarem nos alunos momentos de aprendizagem mais enriquecedores, com novas metodologias, novas abordagens, com resultados, eventualmente, surpreendentes.
A escola terá de mudar! Estes últimos 10 meses impulsionam essa mudança em Braga!

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