Toque terapêutico na EPB

Ideias

autor

Vitor Coutinho

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A saúde em geral e a medicina em particular desenvolvem-se na sua essência por razões de Ciência e de Arte. Na Ciência pela regulação de Objeto e Método científico de estudo do Homem, nas suas múltiplas vertentes bio-psico-social. Na Arte pela complexa teia de fatores culturais, económicos, sociais, etc, que interagem nessa relação e condicionam essa intervenção humana.

Assim, a práxis assistencial de saúde resulta da valorização de todos estes fatores e surge plasmada na medicina preventiva, na promoção de cuidados de saúde efetivos e mais recentemente na designada prevenção quaternária, na deteção de interações de medicação e na solicitação exagerada de exames complementares de diagnóstico. Em tempos de crise, sobretudo económica e de valores humanos, são fundamentais as boas práticas de saúde, com base na genética e generosa confiança entre médico e doente.

Efetivamente, sinónimo de generosidade e tem naturalmente tradução no mais genuíno de nós - os afetos são a quadra natalícia por excelência. Esta expressão da natureza humana é essencial à humanização dos cuidados de saúde, sendo importante na reabilitação física e psicológica dos doentes. Existem estudos científicos, em diversas áreas, que demonstram clarividência na relação entre afetos e saúde, sejam de natureza preventiva sejam de recuperação clínica. Evidentemente que a motivação pessoal, a perspetiva positiva da vida e a saudável interação social são igualmente condições importantes na reabilitação do doente.

Nesse sentido, a magia dos afetos na prestação dos cuidados de saúde perspetiva uma forma de cura - o toque terapêutico. Podemos demonstrar os nossos afetos tocando, por mais pequeno que este gesto seja pode representar uma forte forma de comunicação física e emocional. O toque é um importante meio de restabelecer a ligação com as outras pessoas e com o mundo em geral. O toque é fundamental para comunicarmos com os que cuidamos, demonstramos os nossos sentimentos de carinho, preocupação e de segurança para com essas pessoas, na melhor definição que “não existem doenças mas doentes”.

No entanto, todos precisamos do toque: desde as crianças para estabelecer ligações afetivas e instinto de sobrevivência, aos frágeis idosos, que através do toque, podem diminuir a sensação de solidão - e hoje compreendemos que o isolamento social mata -, contribuindo para fortalecer a sua identidade e utilidade social.

Esta técnica desenvolvida inicialmente por enfermagem nos EUA, na década de 70 e posteriormente analisada em vários estudos experimentais demonstram as virtudes do toque: fazer-nos sentir melhor connosco mesmos e com o ambiente à nossa volta, provoca mudanças fisiológicas mensuráveis naquele que toca e no que é tocado. O toque físico não é apenas agradável, é necessário. O toque é uma manifestação de ciência e de arte…e toda a arte tem um toque.

Na verdade, o toque terapêutico na EPB iniciou-se, no ano letivo passado, e a Escola Profissional de Braga atualmente tem três turmas do Curso Técnico Auxiliar de Saúde, num total de 58 alunos dos quais 34 iniciarão estágios profissionais no corrente ano. Todos os dias os nossos alunos fazem da magia do toque, na arte do cuidar, uma ciência de apoio à terapêutica na reabilitação holística dos doentes.

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