Em dezembro, o frio aquece…

Voz às Escolas

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Manuela Gomes

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A cada final de ano que se aproxima, nesta nossa ilusória investida de dominar o tempo que não existe, os nossos pensamentos voam para inúmeras paragens, umas mais comezinhas, outras mais ousadas.

São sempre tempos de balanço…
E os pratos da balança oscilam entre o que valeu a pena, o que foi desnecessário, o que foi doloroso ou o que nos encheu a alma!

No devaneio consentido, acabamos sempre por ancorar naqueles que connosco se cruzaram, naqueles que apareceram, naqueles que estão sempre presentes, mesmo quando seja para dizer que não. Naqueles que partiram, naqueles que são nossos.

Revisitámos aquele «10» que foi muito maior do que o «20» do vizinho do lado, consentimos no «20» que tanto nos custou a libertar mas que, afinal, era um «30», agradecemos silenciosamente a dica do colega, a bolacha da vizinha, a sopinha do bar, o chazinho que acabámos de dar, ou de receber…Tudo passa a ter um outro sabor, um outro lugar e, se calhar, o lugar certo para ficar.

Fazemos um esforço colossal, como aliás está na «moda», para que o trivial invada os nossos percursos, para que o chocolate nos acompanhe no caminho, para que a dúvida se dissipe, o silêncio acompanhe a palavra, a vontade se sobreponha ao desencanto.

Ao longo destes anos, sonhamos com escolas sem nome, escolas de todos apesar do nome, países sem fronteiras e continentes sem margens. Experimentámos os sucessos e os insucessos, os nossos, dos nossos, dos outros. E acima de tudo, saboreámos a felicidade de muitos.
Apesar da miséria mais ou menos silenciosa e do desencanto mais ou menos profundo começarem a perturbar gravemente a nossa tentativa de nos fixarmos nas luzinhas que a Árvore de Natal insiste em fazer cintilar, sabemos que é sempre possível fazer diferente, fazer a diferença, suster a diferença e fazer suspender a maledicência, a iniquidade, a afronta, o desamor ou a cobardia.

Em dezembro, o frio aquece…até porque o sonho é permitido! Só assim o janeiro ressurgirá mais saboroso, temperado pela bondade da realidade que cedeu à quimera, temperado pela vontade de quem não sucumbiu aos caprichos tortuosos da mercancia e se alicerça numa esperança incontida nas pessoas, tal como elas são, e no país, tal como todos temos a obrigação de o fazer ser.

Em nome da Escola Secundária de Alberto Sampaio, desejamos a todos Festas Felizes, na certeza de que em 2013 seremos apenas pessoas, mas continuaremos a ser país e continuaremos, sempre, a ser escola, presenteados com a coragem com que cada natal nos contempla, esse ingrediente supremo que, contra a vontade de muitos, a Educação lega a cada geração que sustenta.

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