Curso profissional: uma mais-valia no percurso académico

Ideias

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Tânia Maia

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Numa altura em que o Ministro da Educação e da Ciência, Nuno Crato, celebra um memorando de entendimento com a Alemanha na área do ensino profissional, parece-me relevante marcar uma posição relativamente ao sistema de ensino dual alemão, relatando uma experiência, na primeira pessoa, daquilo que poderá vir a ser uma importação para o contexto português. Pese embora as recentes declarações sobre o carácter obrigatório do curso profissionalizante num sistema de tipo dual, a verdade é que se trata de uma questão de orientação/encaminhamento dos alunos e familiares que, a meu ver, faria sentido acolher.

Sendo uma defensora da liberdade de escolha, entendo que alunos e famílias devem ter a possibilidade de traçar os seus futuros em termos de vivência académica, à semelhança do que se passou comigo. A opção por um curso profissional de contabilidade, na Escola Profissional de Braga, foi uma decisão pessoal recebida por antigos professores, familiares e amigos com desconfiança e preconceito, por acreditarem tratar-se de um subaproveitamento de capacidades que me iria custar em termos de diminuição de oportunidades futuras.

Decorridos três anos do curso profissional posso testemunhar uma posição contrária. A Escola Profissional de Braga não somente me permitiu a aquisição das competências/técnicas necessárias para o desempenho de uma profissão na área da contabilidade como também me agudizou a vontade de aprender e ambicionar algo mais para a minha carreira profissional.

Os estágios profissionais realizados ao longo do curso foram determinantes para a escolha da licenciatura de Administração Pública que viria a realizar. Para além do crescimento intelectual proporcionado, destaco o crescimento pessoal e o desenvolvimento de aptidões técnicas e profissionais, como o pensamento e a aplicação prática de técnicas de administração e de apoio à decisão, a programação e organização do trabalho e a formação em contexto de trabalho, que acredito só um curso profissional proporcionará aos seus alunos.

A preparação obtida está a revelar-se extremamente útil para o desenvolvimento de investigação na área de Administração e Políticas Públicas, no âmbito do mestrado em Administração Pública e no exercício de funções de bolseira de investigação no Núcleo de Estudos em Administração e Políticas Públicas da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.

Mas aquilo que a Escola Profissional de Braga me ofereceu não se fica por aqui. O exercício de funções de docência, na Universidade do Minho, em muito se enriquece com a minha experiência naquela que, ainda hoje, chamo de “a minha escola”. A proximidade, o respeito mútuo, a compreensão e a cooperação entre alunos e professores que pude vivenciar marcou de tal modo a minha personalidade que, hoje, tento partilhar e oferecer aos meus alunos uma experiência semelhante no momento da aprendizagem.

A metodologia de avaliação utilizada, no último ano do curso, incluía a realização de um estudo empírico, no meu caso em colaboração com uma empresa multinacional, sob a forma de prova de aptidão profissional. Para além de se tratar de uma oportunidade de ingresso no mercado de trabalho, a experiência possibilita aos alunos o primeiro contacto com a realidade de trabalho e a aplicação dos conhecimentos adquiridos durante os três anos do curso.

Numa era de incerteza, competitividade, qualidade e diferenciação, em resultado de um contexto cada vez mais complexo e ambíguo onde a mudança e aprendizagem contínua se impõem como necessidade e oportunidade num mercado cada vez mais globalizado, acentuam-se as exigências e expectativas dos empregadores, pelo que estes pequenos (grandes) passos que a Escola Profissional de Braga possibilita são determinantes para um percurso profissional de excelência.

Não obstante as inúmeras potencialidades do modelo, será necessário fazer as devidas adaptações ao contexto português, para que a maximização dos benefícios para a comunidade fosse assegurada. A procura da excelência e da autorrealização não são travadas pelo modelo, nem tão pouco pela frequência de um curso profissional. Não o entendo como um elemento limitador mas como uma mais-valia no percurso académico. O crescimento pessoal e profissional não tem limites, apenas aqueles que a pessoa se auto impõe.

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