Há ou não lugar para a Esperança?

Voz às Escolas

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Vasco Grilo

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Escrevo depois do Natal e, assim sendo, não deveria ter colocado a interrogação, já que a mensagem mais forte do Natal é essa mesma, a Esperança, mas como podia não fazê-lo? A noite de Natal é sempre contraditória pelo que tem de festa e de exame de consciência. A festa é doce e quente. A reflexão, por vezes, amarga e fria. É a festa da família, da amizade e da solidariedade. Mas é também a consciência da carência, das desigualdades e da solidão. Há ou não lugar para a Esperança?

Há em tudo o que existe um Mistério essencial que perturba todo e qualquer raciocínio. Somos, mas podíamos não ser. Como exprimir tal mistério? Para o mendigo, de Fernando Pessoa, “o facto essencial e pasmoso das coisas é elas realmente serem”. O milagre da existência, e da consciência que temos dela, é motivo de espanto. Somos como? E para quê?

Não vou tentar dar resposta às perguntas. Como poderia fazê-lo nestas pequenas linhas? O que me sobressalta o espírito é perceber que o que não sei é sempre mais forte, mais agudo, menos presente. Mas, ao mesmo tempo, o que não sei é o que me impele a progredir, a procurar, a fazer a busca. Os inquietos procuram respostas. O Natal tem essa força de nos tornar mais alerta, de nos desassossegar, questionando-nos.

No Natal dos Simples, cantado por Zeca Afonso, diz-se que “só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra”. Há então caminhos velhos, nossos conhecidos, que nos levam a casa. Talvez que sejam os caminhos da solidariedade, do trabalho, da justiça social. Talvez que sejam os velhos caminhos que inspiraram tantos a tentar mudar o mundo. Há ou não lugar à Esperança?

Como bem diz a sabedoria popular, “não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”. Tal como as nuvens, também as crises são passageiras. Também esta crise passará. E é por isso que, após o Natal, elegi a esperança como tema.

Acabo como comecei. O Natal é sempre lugar de esperança. O ser humano é também lugar de esperança. A vida não pode ser só crise, dívida, despedimentos ou carestia (palavra em desuso). Apesar de tudo, teremos de abrir caminho à esperança, sem a qual o que fizermos não terá sentido. Espero sinceramente que 2013 seja melhor, para todos.

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