EPB na linha da frente da formação

Ideias

autor

Fernando Silva

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“A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.”
(Martin Luther King)

A atualidade é dominada por conversas, monólogos, desabafos, expressões em surdina, que apontam invariavelmente para a falta disto e daquilo, constituindo uma espécie de serpente que não quer ir sem nos picar. E nós, como que seduzidos pela sua imprevisibilidade, vamos arriscando qualquer coisita, participando, assim, nesta teia negativa que nos mantém confortados por não estarmos sozinhos na carruagem da desgraça, mas que não altera, no essencial, o que quer que seja. Claro que há dificuldades, mas não podemos deixar que elas nos abatam!

Ora, julgamos ter chegado o tempo de mudar o discurso e as práticas, abandonando esta ideia obsessiva que nos prende os movimentos e nos tolhe o pensamento. É tempo de buscar uma vida mais saudável, com atitudes positivas baseadas no conhecimento, dedicação, rigor, solidariedade, otimismo e esperança de viver.

Neste sentido, importa concentrar esforços no contexto em que podemos ser úteis - em casa, no bairro onde vivemos, no trabalho -, levando esta onda negativa a afastar-se do nosso horizonte, porém, sem alarmismos e sem abdicarmos dos direitos laborais. E bem conscientes da importância do valor do trabalho na vida individual e coletiva - na economia, na valorização social, no bem-estar familiar, na dignificação da pessoa.

Assim, a nossa aposta vai para a escola, pois, sendo nela que se constrói o futuro das gerações, há aí todo um trabalho que os seus profissionais deverão consolidar, visando criar as melhores condições de formação aos públicos que a procuram. Trabalho que passa, também, pela participação nas mudanças em curso, algumas delas apresentadas como pioneiras, mas desenvolvidas com avanços e recuos, que nos levam a duvidar da sua eficácia.

A começar pela recuperação da nossa autoestima e identidade, colocando o saber e a pessoa que somos ao serviço da educação, mostrando que o profissionalismo, apesar de parecer uma categoria abstrata, se concretiza em pequenos gestos, a cada momento, através da realização de práticas educativas assentes na seriedade, colaboração, rigor e competência, com o que se formam cidadãos capazes de enfrentar os desafios ao longo da vida.

É esta atitude que se vem fortalecendo, desde há 23 anos, na Escola Profissional de Braga, quando esta escola integrou um grupo de cerca de 120 escolas profissionais, as quais se lançaram numa aventura arriscada, mas fortemente motivadora, assumindo a formação profissional em Portugal, através do desenvolvimento de metodologias inovadoras, e recuperando, assim, uma modalidade de ensino praticamente inexistente desde a suspensão do ensino técnico-profissional, alguns anos depois da Revolução de Abril.

A verdade é que tal iniciativa proporcionou, desde então, a certificação dos níveis III e IV a muitos milhares de pessoas, sendo certo que, na EPB, foram perto de três mil e quinhentos os formandos certificados, muitos deles a ocuparem hoje cargos assinaláveis nas áreas do jornalismo, política, gestão, empresariado, direção, contabilidade, artes gráficas, desenho, arquitetura, secretariado, para além de outros cargos de apoio nos mais variados ramos de atividade.

Mas isto só foi possível com profissionais que “vestem a camisola”, mostrando grande motivação e disponibilidade, a par da competência e rigor colocados ao serviço da prática docente, o que levou a EPB a ser justamente reconhecida como uma instituição de referência na região a nível da formação e qualificação profissional.

Foi com profissionais capazes de verem as dificuldades encontradas como desafios permanentes que se construiu uma escola cuja capacidade praticamente foi esgotada na passagem dos seus 20 anos, com cerca de três dezenas de turmas. Com profissionais de fibra, entregues de forma entusiástica à profissão docente, que não mandam os alunos para casa, mas que os levam a superar, pela motivação, pelo diálogo e pelos mais diversos apoios, as suas dificuldades quanto ao desenvolvimento das suas capacidades e competências, procurando atingir as metas traçadas.

Enfim, foi possível erguer a EPB, a partir do desenvolvimento de um projeto educativo credível com elevados padrões de qualidade de formação, onde as competências técnicas são construídas com uma formação científica de base, permanentemente aprimorada com a formação de atitudes e valores, referenciais cimeiros da cidadania na sociedade de hoje, como as de integrar uma equipa de trabalho, ser capaz de mobilizar energias, ser criativo, mostrar disponibilidade para a mudança, visando potenciar as competências pessoais e sociais do grupo em que se integra, sempre em prol do crescimento da empresa.

Porém, desde há alguns anos vêm surgindo algumas dificuldades, geradas, por um lado, pela generalização dos cursos profissionais no ensino secundário, facto que conduziu à natural dispersão dos tradicionais públicos-alvo da escola, e, por outro, à mudança da gestão da escola, feita, apesar de tudo, com serenidade e bom senso.

Mas os profissionais da EPB souberam responder de forma adequada a tais desafios, através de campanhas diversificadas para a captação de candidatos à primeira matrícula, do alargamento da oferta formativa a áreas emergentes, como Saúde, Frio e Climatização, e Energias Renováveis, do estabelecimento de parcerias com as empresas, da conceção e desenvolvimento de projetos de referência, como Robótica, Passo a Passo, epb TV, Estágios Internacionais, Troféu EPB, Jogos de Matemática, epb Revista, Grupo de Percussão, entre outros. Em suma, através da realização de um trabalho feito diariamente de competência, entrega, rigor, cooperação e humildade.

E assim, apesar destes “tempos de controvérsia e desafio”, espera-se que os profissionais da EPB continuem esta atitude de elevação profissional, investindo cada vez mais em práticas pedagógicas inovadoras e eficientes que, a par de uma boa dose de inconformismo e de esperança, conduzam à consolidação do prestígio alcançado pela escola e, dessa maneira, à continuação do merecimento da confiança de famílias, empresas e sociedade. Os nossos alunos merecem-no.

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