A prevenção: das Escolas às Empresas

Ideias

autor

Jorge Oliveira

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“A prevenção das doenças profissionais” é o tema escolhido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para celebrar o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, no próximo dia 28 de Abril. Portugal, e bem, completou o tema com ‘A prevenção - das Escolas às Empresas’”.

Quando falamos de higiene, segurança e saúde no trabalho, as primeiras medidas que nos ocorrem, são, com alguma naturalidade, o uso de capacete, colete refletor ou ainda botas com biqueira de aço. Associamos mui-to a implementação (ou a não!) de medidas de prevenção e proteção ao setor da construção civil, fruto do relevante peso que este tem ou teve na economia nacional e, ainda, a algum setor industrial. Focamo-nos na proteção de acidentes de trabalho.
No entanto, e apesar de persistirem em permanecer “invisíveis”, as doenças profissionais matam seis vezes mais do que os acidentes de trabalho.

É relativamente fácil compreender o motivo pelo qual é dada maior relevância aos acidentes de trabalho. Estes, ao contrário das doenças profissionais, têm consequências imediatas. As doenças profissionais podem demorar anos ou décadas a desenvolver, criando uma falsa sensação de segurança nos trabalhadores e empregadores. Para além do mais, a natureza das doenças profissionais altera-se rapidamente.

As mudanças tecnológicas e sociais, a par das alterações económicas, agravam perigos já existentes para a saúde e criam novos. As pneumoconioses, nas quais se inclui a silicose, permanecem difundidas enquanto que, “novas” doenças profissionais, como as músculo-esqueléticas (por exemplo, tendinites) e as associadas ao stress (por exemplo, a elevada carga de trabalho ou assédio moral) aumentam.

Estima-se que 2,34 milhões de pessoas morram todos os anos devido a acidentes de trabalho e doenças profissionais. Destes, uma maioria (cerca de 2,02 milhões) morrem de uma vasta gama de doenças profissionais. Das 6300 mortes diárias estimadas, 5500 ocorrem devido a doenças profissionais. A OIT estima ainda que ocorrem 160 milhões de doenças profissionais não fatais.
Ao analisar os dados apresentados facilmente se compreende porque, não raras as vezes, vemos referido em diversas publicações que os acidentes de trabalho e doenças profissionais matam mais que a Guerra.

Os custos associados ao elevado número de doenças profissionais refletem-se no empobrecimento dos trabalhadores e suas famílias, na diminuição da produtividade e no aumento das despesas em saúde.
Devemos, então, fazer um esforço conjunto para alterar esta focalização da higiene, segurança e saúde na mente dos trabalhadores e empregadores atuais e futuros, assim como na população em geral. Urge consertar esforços com as escolas, as empresas e outras entidades públicas e privadas para lidar com os desafios colocados pelas ‘novas’ e ‘antigas’ doenças profissionais.

É, assim, fundamental o papel da formação e comunicação para a higiene, segurança e saúde, evidenciando as consequências associadas às doenças profissionais, bem como as medidas preventivas a implementar, para minimizar os custos financeiros mas principalmente os custos sociais e humanos.

O regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho estabelece, e bem, que o Estado deve (1) prosseguir a integração de conteúdos sobre a segurança e a saúde no trabalho nos currículos escolares dos vários níveis de ensino, tendo em vista uma cultura de prevenção no quadro geral do sistema educativo e a prevenção dos riscos profissionais como preparação para a vida ativa e, ainda, (2) promover a integração de conteúdos sobre a segurança e a saúde no trabalho nas ações de educação e formação profissional de forma a permitir a aquisição de conhecimentos e hábitos de prevenção de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

A implementação desta diretiva é evidente nos cursos profissionais da Escola Profissional de Braga, nomeadamente Frio e Climatização, Mecatrónica, Eletrónica, Energias Renováveis e Construção Civil. Estes cursos integram um módulo de higiene e segurança no trabalho onde se pretende que os formandos conheçam e compreendam os principais riscos associados ao seu futuro local de trabalho mas tenham, principalmente, a capacidade para avaliar riscos futuros.
No caso geral das escolas, onde os riscos psicossociais são relevantes, é também de extrema importância alertar para os riscos associados ao uso continuado da voz em esforço.

Os professores são um grupo profissional muito vulnerável a problemas de voz. A necessidade de falar para grandes grupos, com níveis elevados de intensidade, a acústica das salas, o ambiente térmico, entre outros fatores, associados a posturas cor- porais e stress típico da profissão, são alguns dos frequentes fatores de risco que podem afetar a saúde de um professor. De acordo com a investigadora Isabel Guimarães (2004), a estes fatores, devem ainda ser adicionados fatores individuais como: tabagismo, doenças do foro respiratório, eventuais debilidades da voz e maus hábitos vocais.

A última revisão da lista de doenças profissionais já inclui as laringites crónicas e as disfonias funcionais provocadas pelo uso continuado da voz. Estas constituem as principais causas da ruina da voz dos professores.

Assim, a escola é um lugar de formação e de dupla prevenção: Formação e prevenção porque estamos a preparar (ou deveríamos estar) os futuros trabalha-dores e empregadores para o desafio das “novas” e “velhas” doenças profissionais; novamente prevenção, pois a escola é também um local de trabalho, onde devem ser implementadas as melhores práticas de prevenção em higiene, segurança e saúde.

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