Gémeos de nós? - são os da Galiza!

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Costa Guimarães

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Antevê-se uma jornada histórica, no dia 14, para a Língua Portuguesa… na Galiza. Seja qual for resultado desta iniciativa, o trabalho desenvolvido até aqui faz-nos testemunhar num movimento sem precedentes de afirmação da Língua de Camões, Pessoa e Castelão. O parlamento regional da Galiza discute no dia 14 uma proposta de lei de iniciativa popular, subscrita por 17.000 pessoas, de “aproveitamento do potencial” da língua portuguesa nesta região autónoma espanhola.

Milhares de galegos reclamam o aproveitamento da língua portuguesa e estreitam os vínculos com a lusofonia, sensibilizando o governo galego para incorporar “no prazo de quatro anos, a aprendizagem da língua portuguesa em todos os níveis de ensino regrado” que “terá especial reconhecimento para o acesso à função pública e concursos de mérito”.

Milhares e milhares de galegos estimulam o relacionamento “a todos os níveis” com os países de língua oficial portuguesa como “um objectivo estratégico” do governo galego.
Finalmente, os galegos pretendem que o seu governo regional tome “quantas medidas forem necessárias para lograr a recepção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre”.

Existe a feliz expectativa dos quatro grupos parlamentares votarem esta proposta, tendo em conta que o “português nascido na velha Gallaecia” é hoje um idioma de trabalho de vinte organizações internacionais, de nove países e de Macau, na China.
Acresce aos argumentos, a potencialidade económica do Português para as empresas e organismos públicos galegos porque se trata de vantagem linguística, um valor que evidencia a importância mundial da Língua e o crescente papel de blocos como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mais uma vez, depois da dinamização da Região europeia transfronteiriça, para aceder aos fundos comunitários, são os galegos a fazer mais por nós que nós próprios.
Mais uma vez, depois da luta contra a forma de cobrança das portagens nas SCUT’s, são as forças vivas da Galiza a dar valor à nossa Língua e à nossa pátria.

Por cá, exigimos propinas para aprender a Língua de Camões e limitamos as condições para a sua aprendizagem. Finalmente, quando em Portugal a Televisão Digital Terrestre deixa muitos sem acesso aos nossos canais abertos, os galegos podem vir a ter melhores condições de recepção dos canais de televisão portugueses.

Na Galiza, desde 1963, celebram os grandes vultos da sua língua, como Rosalia de Castro, Alfonso Daniel Rodríguez Castelao, Eduardo Pondal, Francisco Añón Paz, Manuel Curros Enríquez, Florentino López Cuevillas, Xoán V. Viqueira Cortón, Luís Amado Carballo, Martim Codax, Joham de Cangas e Meendinho ou Valentín Paz-Andrade.
E nós? Camões, Pessoa e pouco mais já nos sossegam o apetite. Oxalá, os galegos destruam o nosso fastio e nos despertem do tédio.

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