Colômbia: perspectivas de internacionalização

Ideias

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Eduardo Rodrigues

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Assistimos actualmente, em Portugal, a uma importante discussão sobre a internacionalização da nossa economia e das nossas empresas. De facto, o futuro das mesmas está nas exportações e nas oportunidades de negócio que estas conseguirão desenvolver no estrangeiro. Um dos mercados com potencial para o investimento nacional e do qual se tem falado muito (embora nem sempre bem) é o da Colômbia, onde tenho trabalhado como business developer e é acerca do mesmo que vos gostaria de falar hoje.

Os padrões da internacionalização das empresas Portuguesas têm sido caracterizados por apostas em mercados próximos em termos geográficos e em termos culturais. Falo, por exemplo, do Brasil, de Angola, de Moçambique, dos nossos países vizinhos na União Europeia e no Norte de África. São os nossos mercados “naturais” e a nossa aposta neles só “peca, no geral, por tardia.

Há, no entanto, que olhar para os desafios que hoje eles colocam a empresas estrangeiras e questionar em que medida estes serão os melhores mercados em que poderemos desenvolver projectos de internacionalização bem sucedidos. Há que olhar para além da língua e proximidade cultural e geográfica na escolha de mercados-alvo para o investimento Português. Há que olhar para outros bons e, porventura, melhores mercados.

A Colômbia não é, de facto, um mercado natural para Portugal e para as nossas empresas. Estamos, no entanto, a falar de uma das mais dinâmicas democracias e economias mundiais, um país que tem sido marcado por um largo período de crescimento e de estabilidade política e económica. Infelizmente, o país virou “moda” em Portugal não por estes motivos, mas simplesmente pelo facto de que o grupo Jerónimo Martins decidiu apostar nele.

Aliás, desde o anúncio oficial da entrada deste grupo na Colômbia, as notícias sobre o país multiplicaram-se na imprensa nacional, organizaram-se múltiplas visitas de Estado e missões empresariais ao país e Portugal passou a ter um delegado da AICEP em Bogotá. Tudo isto seria louvável se tivesse contribuído para uma melhor compreensão do mercado por parte dos empresários e cidadãos Portugueses, o que de facto não aconteceu. Qualquer pessoa que, como eu, tem trabalhado nesta área e conhece o mercado, confirmará facilmente que a qualidade das informações, notícias e mesmo declarações públicas sobre o país tem sido, no geral, má e demonstra um total e profundo desconhecimento do mercado.

A Colômbia é um país que, em cerca de 12 anos, passou de “estado falhado” para ser considerado um dos “tigres da América Latina”, sendo o único na região que nunca entrou em default. Apresenta taxas médias de crescimento real do PIB na ordem dos 4,5%, com inflação estabilizada por volta dos 3%, taxas de câmbio relativamente estáveis face a dólar e euro, estabilidade política, económica e fiscal e inúmeros acordos de comércio livre com os principais blocos económicos. O investimento directo estrangeiro está a disparar, crescendo a cerca de 10% ao ano, devendo chegar aos €18.5 mil milhões em 2013, revelando que o país está “na mira” dos investidores e empresários estrangeiros.

De resto, a sustentabilidade do crescimento económico Colombiano parece estar assegurada. O investimento público não dá sinais de abrandamento. A dívida pública Colombiana é considerada como “investment grade” pelas principais agências de rating. As exportações crescem e espera-se que se tornem ainda mais competitivas com o investimento em infraestrutura e logística. O país tem assinado acordos de comércio livre, com redução ou isenção de tarifas aduaneiras com Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Coreia do Sul, MERCOSUR, que o colocam como uma importante plataforma para indústrias exportadoras.

Tudo isto são exemplos do dinamismo desta economia, uma que está, claramente, recheada de oportunidades para empresas estrangeiras em sectores tão vastos como o da construção, o da saúde, o turismo, o retalho alimentar, o tratamento de resíduos, entre outros. Importa, no entanto, mencionar que a economia Colombiana é altamente competitiva, com uma cultura empresarial de influência Americana.

Como costumo dizer, não vamos para a Colômbia inventar a roda, não vamos encontrar projectos sem risco e rápido retorno neste país. Para se ser bem sucedido na Colômbia, há que se ser muito profissional, há que desenvolver uma boa rede de contactos, parcerias e laços de cooperação com empresários locais. É importante não menos-prezar a capacidade das empresas e empresários Colombianos.

Investir na Colômbia não é fácil. Muitas das empresas Portuguesas já presentes no mercado e caracterizadas na imprensa nacional como “casos de sucesso”, estão longe de o ser. Porém, estamos a falar de um país de oportunidades, um país em que podemos e devemos fazer melhor. Um país em que Portugal pode ser bem sucedido.

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