A inserção dos jovens no mercado de trabalho

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João Cunha

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No momento que vivemos e sentimos os efeitos devastadores de uma crise económico-social, em que cada vez é mais difícil compreender e aceitar o custo de uma evolução que sacrifica tanta gente, o desemprego entre os jovens é um tema transversal da sociedade.
Senão vejamos, como poderá uma sociedade evoluir quando esta enorme geração de jovens se confronta com um obstáculo difícil de ultrapassar, cada vez mais robusto, encorpado?
Terminados os ciclos de formação, tanto no ensino intermédio como no ensino superior, avizinha-se um crescimento na procura de emprego por parte da faixa etária que mais é afetada pelo problema do desemprego, os jovens.

O problema do desemprego jovem não deve só preocupar a classe diretamente afetada, mas também toda a sociedade onde esta se insere, e aqui muito se tem opinado relativamente a este problema, umas vezes com opiniões construtivas e outras vezes não.
Mas se estamos à espera de uma poção mágica ou uma espécie de fármaco para a cura do problema estamos muito enganados. O problema não padece de uma só causa, seja ela política, social, ou económica, mas sim de um conjunto de fatores que, ao longo destes últimos anos, nunca foram levados em conta, políticas de austeridade com desinvestimento na educação, asfixia do tecido empresarial e quebra no rendimento das famílias têm um forte contributo para o problema.

Anteriormente o problema existia, não com a incidência que predomina hoje, mas inserido num panorama diferente, a oferta era maior mas os pré-requisitos de quem procurava emprego eram baixos, sendo os défices de formação elevados. Hoje, estas variáveis inverteram e a oferta é mais reduzida aliada a uma elevada concorrência e em geral níveis de formação mais elevados.
Será que os atuais níveis de formação dos jovens que procuram emprego conseguem preencher as lacunas existentes num perfil profissional procurado pelas empresas?

Neste aspeto é evidente que muito se pode fazer, e basta uma pesquisa pelos principais sites de ofertas de emprego para se concluir que, para a mesma área de formação, o perfil pretendido pelas empresas é cada vez mais específico, podendo um candidato se enquadrar nos pré-requisitos de uma empresa e noutra não, sendo, no entanto, esta oferta ligada à mesma área e grau de formação.

O mercado de trabalho está constantemente em mudança, sendo que a margem que as empresas têm para a formação inicial e integração de futuros colaboradores é cada vez mais pequena. Os custos associados a esta integração tanto ao nível da formação como também das competências pessoais onde aqui podemos enquadrar a proatividade, dinamismo, autonomia e responsabilidade, hoje representam um custo significativo para as empresas.

Logicamente formar jovens à medida de cada empresa é um cenário irrealista, mas prepará-los de modo a que terminem o ciclo de estudos com um perfil 'aberto' e capacidades de uma adaptação rápida ao mercado de trabalho é uma realidade. Para tal, posso dar o exemplo da Escola Profissional de Braga, onde contribuo para a formação de muitos destes jovens, conhecendo de perto o feedback de empresas com as quais estabelecemos parcerias para a integração destes futuros profissionais.

Neste ponto, o papel das empresas é fulcral e imprescindível. O acolhimento destes jovens durante o seu ciclo de formação, através dos estágios, permite-lhes ter uma visão mais realista do mercado de trabalho e da profissão que futuramente assumirão, motivando-os não só para a continuidade da sua formação mas também despertando o espírito de persistência e ambição para o ultrapassar dos obstáculos aquando da inserção no mercado de trabalho.

A formação em contexto de trabalho, seja através de estágios, projetos, ou até mesmo visitas pontuais às empresas, permite aos estabelecimentos de ensino uma interação que se torna uma mais-valia na preparação de futuros profissionais, colmatando muitas falhas que poderiam persistir caso estas parcerias não existissem.

As empresas também retiram destas parcerias os seus frutos, tendo acesso a uma oferta de profissionais que, em muito, contribuíram para formar e que, em muitos casos, passa de um estágio integrado na formação para um contrato de trabalho no final do ciclo de estudos.
Os estágios transnacionais também são uma aposta da Escola Profissional de Braga que vem dar resposta a uma necessidade do mercado de trabalho, a mobilidade, contribuindo para uma troca do conhecimento cultural e técnico dos participantes envolvidos.

Refletindo acerca da afirmação do Dr. António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, numa entrevista a um semanário em que dizia 'Desemprego jovem é a morte a prazo da sociedade', torna-se evidente a urgência de políticas eficazes no combate ao desemprego jovem, caso contrário, o risco de uma eterna geração desempregada é um cenário possível, com consequências sociais devastadoras e um distanciamento cada vez maior do contexto europeu.
Felicito todos os alunos da Escola Profissional de Braga que receberam os seus diplomas de conclusão de curso, prémios de mérito escolar e menções honrosas, em véspera do 24º aniversário, desejando-lhes os maiores sucessos profissionais.

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