Educação e Paradigmas

Voz às Escolas

autor

Zita Esteves

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Um paradigma é uma espécie de janela, através da qual vemos o mundo, o interpretamos e sobre ele atuamos e intervimos. Deve sustentar-se em conhecimento credível e, se for o caso, em dados científicos. Dos paradigmas emergem as formas de pensar e de sentir das pessoas num determinado lugar e momento histórico. Será apenas uma forma de ver e explicar a dinâmica do mundo e da vida. As suas implicações são, no entanto, imensas; perduram no tempo, numa dinâmica de substituição de uns paradigmas por outros que vão coexistindo em processos mais ou menos lentos, por vezes radicais.

A educação tem sido um domínio privilegiado, muito sensível às teorias e paradigmas. Passou-se da centralidade do professor, para a centralidade no aluno, para a sala de aula, para as metodologias, para os conteúdos até à aceleração de mudanças sucessivas sempre na procura do melhor caminho para o sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

Na prática do professor encontram-se subjacentes vários modelos de educação e de escola assentes em determinadas teorias do conhecimento e da aprendizagem. Ao mesmo tempo em que a educação é influenciada pelo paradigma da ciência, aquela também o determina. O modelo da ciência que explica a nossa relação com a natureza e com a própria vida esclarece também a maneira como apreendemos e compreendemos o mundo, mostrando que o indivíduo ensina e constrói o conhecimento a partir de como ele o compreende.

A escola continua a dividir o conhecimento em assuntos, especialidades e subespecialidades. Centrada no professor e na transmissão do conteúdo continua a ver o indivíduo como uma tábua rasa, correndo o risco de produzir seres subservientes, obedientes, destituídos de usar a sua capacidade criativa, quantas vezes demitidos de outras formas de expressão e solidariedade. Nesta perspetiva, é uma educação ‘domesticadora’, ‘bancária’, segundo Paulo Freire, que ‘deposita’ no aluno informações, dados e factos. O professor é quem detém o saber, a autoridade, é ele que dirige o processo, segundo um modelo a ser seguido.

Hoje estamos sujeitos tanto às incertezas cognitivas quanto às incertezas em relação aos acontecimentos que se multiplicam na nossa realidade. A criatividade passa a ser o ponto alto, num momento em que novos caminhos de aprendizagem podem ser valorizados e já não se tenta obedecer a um único padrão de estudo.

À medida que o saber é construído, ocorre a partilha dos conteúdos e das experiências. Isso legitima o conhecimento, porque o expõe a críticas, a divergências e, é claro, enriquece a pesquisa e favorece a colaboração de todos. De seres humanos penta sensoriais evoluímos para seres multidimensionais, não mais limitados à perceção dos cinco sentidos, onde a intuição, as emoções, os sentimentos passaram a integrar o processo de construção do conhecimento e de compreensão da natureza e do mundo.

A influência que estes paradigmas exercem na educação implica uma busca permanente para conhecer e identificar quais os desafios que um docente enfrenta hoje para garantir uma aprendizagem significativa e de qualidade. Num mundo tão plural em que tudo flui de forma tão acelerada, professores e alunos nem sempre estão no mesmo caminho. Aos alunos impõem-se, por vezes, paradigmas atraentes que nem sempre facilitam o caminho da aprendizagem e aos professores coloca-se o dilema, quantas vezes sem solução, da distância entre os seus paradigmas e os dos seus alunos.

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