Prova de avaliação de competências e de conhecimentos

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Mário Almeida

Éuma prova de Avaliação de Competências e de Conhecimentos, que o Ministério da Educação quer impor para os professores contratados e, futuramente, talvez, para todos os professores.
Prova de competências? Prova de conhecimentos? Não há prova maior de competência do que aqueles que, durante anos, contribuíram para o sucesso dos alunos e a dinamização das escolas; assim como não há maior prova de incompetência, daqueles que, porventura, nunca estiveram no terreno e querem, agora, ajuizar sobre competências e conhecimentos dos que já os evidenciaram e provaram.

O ministro atual, que, porventura, saberá que ser ministro significa servir aqueles que representa, serve, nesta matéria, apenas interesses económico-partidários. E agora vem com esta ideia, impensável para qualquer mente sensata: avaliar os professores contratados, aqueles que já foram avaliados, que contribuíram muito para o sucesso dos alunos e que foram/são uma mais-valia de uma escola jovem, ativa e promissora.
Uma prova de conhecimentos e competências? Não!

Nas escolas, para que não se contratem outros professores, há professores a lecionar disciplinas que não são da sua área específica. Com que competência? Aqui, para o Sr. Ministro, a competência já não é importante. Que incongruência! Porquê, então, uma prova de competências na área específica para os professores contratados se, qualquer professor do quadro, que não tenha horário completo, pode lecionar outras disciplinas? Os professores contratados têm de ser competentes, mas os do quadro, sejam ou não da área, a competência já não é importante. O critério de competências, que o Sr. ministro reclama, é, por isso, incongruente e inócuo.

Mais: os professores contratados, colocados até 31 de dezembro, se reprovarem na prova de competências e conhecimentos, podem concorrer no próximo ano letivo. Os que não forem colocados nesse período, e reprovarem, já não podem concorrer. Ou seja, um professor que concorreu a todos os horários, pode ter ficado colocado; outro, porque não previa esta maldade do Ministério (por exemplo, turmas com números de alunos impensáveis…) concorreu só a horários completos. Os primeiros, com menos experiência, até ficam colocados e podem, no próximo ano, lecionar (são competentes); os outros, mais graduados, que não obtenham aprovação na prova, não podem, no próximo ano letivo, lecionar (são incompetentes). Onde está, então, o critério da competência?

Exponho, aqui, o meu caso, que é exemplo de muitos: sou licenciado pela Universidade de Lisboa. Fiz o estágio, com aulas assistidas, por uma professora efetiva da escola e por uma professora catedrática da Universidade de Lisboa e obtive, no estágio, a classificado com dezoito valores. Atualmente, com quinze anos de serviço, fui avaliado, com aulas assistidas, em todos os anos desde que a avaliação se tornou obrigatória, com a classificação de Muito Bom.
E, agora, uma prova para me avaliar? Avaliar o quê? Ninguém sabe.

É, com certeza, uma prova para eliminar e para obrigar a pagar 20 euros, nesta e mais 15 euros na(s) prova(s) específica(s). Uma prova que pretende avaliar (não se sabe o quê) a quem já foi devidamente avaliado.
Para quem vivenciou ou tem presente outros tempos, antes do 25 de Abril, isto traz à memória um quadro de deslealdade, ditadura-pura, que só é pensável numa lógica de que tudo é possível (quero, posso e mando). Os direitos das pessoas e a racionalidade, que esperem! Que triste quadro, este.

Se quem manda obriga a uma prova assim, então que essa prova seja feita por todos: Professores, Ministros, Secretários de Estado e Deputados. A sociedade ficará, dessa forma, esclarecida das competências dos seus representantes. E nós, professores, podemos ficar descansados, porque se assim for, esta prova, surrealista, não irá reprovar ninguém.

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