Tempos difíceis... ao som de um clic

Ideias

autor

Jorge Franqueira

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Liga-se a televisão e somos bombardeados com os números do desemprego, com a nova avaliação da troika, com os conflitos do governo com o tribunal constitucional, com o crescente fluxo emigratório, com as falências das empresas, com o défice orçamental, com as crescentes manifestações de desagrado e revolta dos sindicatos e outros agentes profissionais e muitas outras notícias que, infelizmente, preenchem o nosso quotidiano.

Folheamos os jornais e a única coisa de diferente que temos é o cheiro do papel.
Para além desta realidade que nos é transmitida pelos meios de comunicação, existe uma série de indícios que nos é transmitida pela convivência diária com a realidade de quotidiano e que deverá funcionar como elemento propulsor para o…clic.
Vamos ao supermercado e vemos, com frequência, as pessoas a deixarem produtos na caixa de pagamento, por dificuldades económicas óbvias.

Vamos à farmácia e com frequência vemos o aviamento das receitas a ser reduzido ao mínimo indispensável ou até mesmo a serem cortados alguns medicamentos, ou ainda no ato de pagamento a haver o pedido de retirada de alguns produtos.
Vamos realizar exames médicos e com facilidade se consegue marcar para a semana seguinte, quando aqui há tempos era com um mês de intervalo. Quem dera que fosse sinal que a qualidade da saúde das pessoas tinha melhorado significativamente.

Nota-se que a conversa das pessoas anda com frequência à volta desta malfadada realidade e com muita facilidade deixam transmitir a sua impotência, o seu desencanto,… a sua tristeza.
Em relação ao ensino, as queixas também se sucedem com o crescente lamento em relação às medidas que têm sido implementadas, nomeadamente as turmas com número excessivo de alunos; a avaliação dos professores, independentemente do propósito e da justeza ou não da sua implementação a coincidir com o período final de aulas; a criação de cursos (vocacionais) sem a preparação de condições e a sensibilização de todos os intervenientes para que possam funcionar com sucesso; o desgaste crescente e o estado de angústia que está instalado nos professores; a falta de controlo das famílias em relação aos seus educandos, em muitos casos, pelo facto de serem famílias disfuncionais.

Perante esta realidade é justo e legítimo que nos questionemos sobre o futuro e essencialmente sobre a sociedade que estamos a criar e sobre o legado que vamos deixar aos vindouros. Porque este deve ser um dos nossos grandes objetivos de vida, já que quem não tem este tipo de preocupação inevitavelmente, também não tem a necessária capacidade de autocritica diária e permanente para a melhoria do nosso desempenho e do saber estar na sociedade.

No sentido da procura de atingir esta necessidade de vida tem a Escola Profissional de Braga desenvolvido um trabalho, quer ao nível da orientação pedagógica, quer da implementação, por parte de todos os intervenientes, das orientações, princípios e valores emanados da direção e conselho pedagógico da escola.
Este trabalho, para além de ser desenvolvido na escola, espaço coletivo por excelência, deve ou tem de ser desenvolvido por cada um de nós individualmente, e para o qual temos de fazer um esforço para sair desta letargia e comodismo que se tem apoderado de nós e que nos amordaça e tolhe os movimentos.

Não podemos esquecer que existem pequenas atitudes, que são pequenas para quem as dá, mas que podem ser enormes para quem as recebe, e que estão à distância de…um clic.
E voltamos ao clic inicial.
A seleção de futebol de Portugal apurou-se para o mundial de futebol a realizar no Brasil, com mais uma magnífica exibição de Cristiano Ronaldo. Todo o país está em festa.

Embora estas notícias sejam importantes e nos ajudem a colorir estes dias cinzentos que nos têm acompanhado, não podem ser determinantes.
Merecemos mais. Direi que merecemos muito mais.
Mas também devemos exigir muito mais. De nós próprios e dos outros.
Para que aconteça o tal…clic, pelo qual todos nós ansiamos.

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