Afinal a quem cabe a difícil tarefa de educar?

Voz às Escolas

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Zita Esteves

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“Todo o povo que atinge um certo grau de desenvolvimento se sente naturalmente inclinado à prática da educação. Ela é o princípio por meio do qual a comunidade humana conserva e transmite a sua peculariadade física e espiritual” (Paideia, Werner Jaeger).


Uma educação consciente eleva a capacidade do ser humano a um nível superior. Ela não é uma propriedade individual, mas, por essência, pertença da comunidade.
Na nossa sociedade, a educação tem vindo a descentrar-se do seio da família. O sistema educativo, ao criar como uma finalidade central - através das disciplinas escolares ou de outras áreas curriculares - o “ensino” dos valores relativos à formação cívica, moral, social e cultural, entregou à escola a tarefa de educar as suas crianças e jovens.

Claro que na escola, a educação assume um sentido bastante restrito; trata-se da educação fundada no paradigma da instrução, o garante da cidadania orientada principalmente para o desenvolvimento intelectual, que opõe de forma radical saber e saber ser, oposição que estabelece uma nítida distinção entre a educação familiar e educação escolar. Na família, a educação assume um sentido mais amplo fundamentalmente orientado para o despertar global, afetivo, social e moral, numa perspetiva de formação.

A família é a primeira escola da criança. Quando o meio familiar não dá resposta, a escola é chamada a suprir essa insuficiência, isto é, educar e ensinar.
Universalmente a educação, nas suas diversas vertentes, tem por missão criar, entre as pessoas, laços sociais alicerçados em referências comuns. Atualmente, os diferentes modos de socialização estão sujeitos a duras provas; a sociedade está ameaçada pela desorganização e rutura dos laços sociais. Neste contexto, a educação enfrenta um enorme desafio.

Por um lado, vê-se confrontada com a acusação de que é responsável por estar na origem de muitas exclusões sociais, pelo desmoronar do tecido social. Por outro lado, é a educação que apela à coesão e ao restabelecimento do que é coletivo e da unidade social. Daqui resultam contradições difíceis de conciliar.

Não podemos ignorar um conjunto de fenómenos que afetam diretamente as relações sociais e que se projetam na educação e no ensino, dificultando o esforço que a escola tem feito para cumprir uma das suas principais missões. O insucesso e o abandono escolar afetam elevado número de alunos. Ensina-se o alfabeto, os números, os idiomas, a tomar banho, escovar os dentes, vestir-se adequadamente, a fazer comida, jardinagem, saber falar, saber pensar, interagir, … um mundo de competências que fazem parte da formação integral de qualquer cidadão.

O ato de educar vai muito além da aquisição de competências: está intrinsecamente associado aos valores, normas, atitudes, ações e procedimentos éticos e morais universalmente válidos; baseia-se em comportamentos, valores e princípios que visam o aperfeiçoamento da vida e da dignidade do ser humano. A educação poderia incluir os conceitos de educar e ensinar. Mas educar é muito mais do que escola e muito mais do que ensinar.

Num contexto social difícil para as famílias e para as instituições, é necessário escola e família unirem forças à volta dos mesmos objetivos. É grave quando pais e professores têm diferentes formas de ver a educação; quando o encarregado de educação questiona, pondo em causa alguma ação educativa levada a cabo pelo professor, não consegue mais do que levar o seu filho/educando a ficar confuso sobre alguns valores implícitos na educação. Vai crescendo na dúvida, na falsa ideia de que tudo é relativo, quando, na verdade, há valores na educação que são indiscutíveis.

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