“A educação e o ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo.”

Ideias

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Maria Teresa Machado

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Por esta semana, atolhada de notícias sobre a morte de Mandela, um rapaz-de-sala-de-aula, impaciente diante do Tablet oferecido pelos avós, que procuram dar à criança crescida a felicidade aparente em reposição da ausência conflituosa dos pais, questiona “- Ó professora, este que morreu era jogador de futebol?” Apercebemos que o rapaz olhava para imagens de Mandela, o maior símbolo de combate ao regime de segregação racial na África do Sul, falecido aos 95 anos, grande parte dos quais dedicados à defesa dos direitos humanos e igualdade racial.

Gerações a suceder gerações olharão para Madiba, o nome do clã Thembu, como símbolo da reconciliação e do perdão. Claro é, o rapazito levou o seu tempo a digerir tanta explicação, claro é também que muitas palavras, apesar da escola ser de palavras, não fizeram o mínimo de sentido no seu dicionário online: a professora explicou muito rápido, falou depressa e, além disso, a sua atenção não tinha sido a melhor, pois quem tem quarenta e oito amigos no chat, colocado inteligentemente entre cadernos murchos e mochila coçada, não tem a obrigação de entender tudo que lhe é ensinado.

Estranho e entendível, nos tempos que correm, formar opinião é tão somente postar um like nas redes sociais, tão mecanizado e comum à pressão do dígito, que significa dedo. Eles, sobretudo esses da geração digital consomem a avultada informação de forma tão célere e desregrada que não lhes dá tempo a pensar, qual potros indomáveis em debandada calcorreiam a informação e o conhecimento que traduzem num “Já copiei, já sei!”.

A escola insiste na educação para os valores, porque tão somente é urgente ensinar valores e príncipios, ensinar que há e houve homens e mulheres que, pelo sonho de um mundo melhor, ofereceram a liberdade e a vida em defesa dos Direitos Humanos. E a luta quer mudança, e o ensino e a educação são as tais armas poderíssimas que o Sr. Mandela nos deixa.

Sem aliados à vista, a professorita sonhou em fazer entender o rapaz-sala-de-aula que, ao longo da história, houve sempre alguém que lutou a favor dos direitos humanos defendendo a igualdade entre todas as pessoas. Na sua generosa intenção, queria levar o aluno do Tablet, do Smartphone, do iPad a inferir a importância do dia 10 de dezembro - Dia Internacional da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ilustrando o seu discurso-de-sumário pela evocação a Gandhi, líder da independência indiana, poderoso na sua luta poética e silenciosa, de magistral ação de não violência.

Passar-lhe-ia pela cabeça que o pastor negro Martin Luther King, assassinado em 68, liderou uma resistência pacífica nos Estados Unidos, na procura dos mesmos direitos para os negros que aqueles dados aos brancos? Dele é a famosa frase: “I have a dream?”

Possivelmente, nunca ninguém se abeirou de um jovem a explicar-lhe paulatinamente o quão precioso é a vida, lembrando que outros já a deram em troco da nossa própria liberdade. “E tu, qual é o teu sonho?” - Quiçá a pergunta despregada da professora ao jovem imberbe fosse a razão mais que válida para o mote da efeméride Direitos Humanos.

De resto, o mais intrigante destas histórias foi a descrente - Como se pode lutar sem armas? A luta sem armas tem um nome emblemático no Brasil: Chico Mendes, este homem reconhecido como um mártir da natureza, regateou pelos direitos dos povos da floresta da Amazónia, denunciando situações gritantes e, por conta disso, foi assassinado em 1988.

Há outras histórias sobre gente que se entregou na defesa dos Direitos Humanos, com desfechos mais felizes: Suu Kyi, líder da oposição da antiga Birmânia. No ano 2011, três mulheres dividiram o Nobel da Paz: as liberianas Leymah Gbowee e Ellen Sirleaf, presidente do país, e a iemenita Tawakkul Karman, estas mulheres foram 'recompensadas pela sua luta pacífica pela segurança das mulheres e de seus direitos de participar nos processos de paz”.

Do Paquistão para o resto do mundo, Malala Yousafzai, estudante e ativista, tornou-se num símbolo da luta pelo direito à educação do seu país, levou a ONU a criar um programa global de educação para meninas chamado 'I am Malala'. O que é que, afinal, aprendemos com estas histórias? Até onde nos pode levar a determinação? A paz é uma conquista da humanidade, mas qual é a humanidade maior, senão a que trazemos dentro de nós?

Há demasiado tempo que o mundo é mundo para saber que a paz é condição sine qua non da vida. É de crer que a humanidade ainda é sinónimo de beneficência, compaixão, mundo, natureza humana, desta feita, voltámos ao rapaz-sala-de-aula, ia dando sinais de entendimento sobre Nelson Mandela, e a luta de tantos que desconhecia, no entanto toda aquela seca da Prof.ª acabou por ser fixe. E disse “Fale mais.” Foi aqui que o líder africano soprou no ouvido do rapaz-de-escola e lhe lembrou que a educação é o oxigénio de uma sociedade, inclui a modéstia, a cortesia, a delicadeza e civismo.

Resta acrescentar que e educação e o ensino, com olhar de ver o potencial humano de cada criança ou jovem, geram a mudança para que os Direitos Humanos sejam a visibilidade do respeito a esses direitos e liberdades.

Naturalmente e estatisticamete, as relações interpessoais, ou a humanidade, entre professores e alunos da Escola Profissional de Braga, ao longo de mais de duas décadas, têm atingido indicadores, observáveis por inquérito, de grande satisfação. Testemunho, enquanto formadora e colaboradora desta instituição, que as relações pedagógicas têm-se construído a partir de um despertar de atitudes e comportamentos que, per si, constituem uma mais valia de cidadania, nos seus princípios e valores, garantindo sua formação integral dos alunos e, sobretudo, a aposta irremediável na educação para os Direitos Humanos.

Com a educação e o ensino assentes nas palavras de Mandela, os jovens poderão determinar o “norte” da dimensão das suas vidas, pessoal e profissionalmente. Não serão mais do que flores postas nas armas mais poderosas do mundo, pois foram educados e ensinados.

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