Ensinar/aprender ao estilo de CR7

Voz às Escolas

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Natália Rebelo

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“O meu objetivo é escrever uma página inédita na história do futebol como um dos melhores jogadores de todos os tempos, este é o meu objetivo e estou encaminhado para isso.” Cristiano Ronaldo

Quem me conhece e não tem dúvidas de que sou leiga em matéria de futebol, poderá estranhar o título da minha crónica. Assim, parece-me pertinente tranquilizar os leitores, pois não entrarei em domínios técnicos dessa modalidade desportiva, mas limito-me a revelar um sonho e a enaltecer o profissionalismo do ‘Bola de Ouro’ Cristiano Ronaldo, classificado pelo Presidente da República como “um exemplo de tenacidade para as novas gerações”.

Ainda que pouco entendida, atrevo-me a dizer que considero inquestionável a sua competência técnica e a sua destreza de movimento, que, segundo apurei, advirá dos tempos em que jogava na rua e sonhava em ser “o melhor jogador do mundo”.

E é sabido que quem fixa metas muito cedo e acredita muito nelas tem mais oportunidades de concretizar o seu sonho. E por falar em sonho, “I have a dream”, aliás devo ter mais do que um mas não me permito sair da esfera da crónica e maçar os leitores com os meus sonhos pessoais. Atrevo-me, sim, a dizer que tenho um sonho para os meus alunos e ex-alunos, aqueles com quem partilho o meu dia-a-dia profissional, há mais de doze anos: que sejam “Cristianos Ronaldos” nas suas áreas de aprendizagem.

No momento de decidir o futuro profissional, há quem opte por querer tirar um “curso com saída” e ter uma “carreira promissora” mas, pensando bem, para se estar em sintonia com o mercado de trabalho, não será fundamental, acima de tudo, ser-se um “profissional promissor”?

O mercado de trabalho encontra-se de tal ordem em permanente mutação que, provavelmente, daqui a cinco anos, algumas das funções de hoje já não existirão e outras, que venham a existir, podem ser, ainda hoje, desconhecidas. Neste contexto e sem ter a pretensão de fazer a apologia das áreas em alta, permito-me apenas provocar a reflexão sobre as competências comportamentais mais procuradas, uma vez que é na construção dessas competências que reside o verdadeiro desafio dos profissionais da EPB!

Bem sabemos que o mercado de trabalho já não se limita a recrutar profissionais tecnicamente bem preparados, mas sim pessoas excecionais ao nível estratégico e comportamental. Entramos no campo das “soft skills”, as competências relacionadas com as atitudes e comportamentos que se desenvolvem através da prática em situações reais de trabalho. Ora, foi precisamente esta realidade que implicou uma revolução na educação e ditou o sucesso do ensino profissional.

Os profissionais mais pretendidos serão, então, aqueles com atitude positiva e autoconfiança, pensamento criativo, gosto pelo desafio, orientação para os resultados, espírito de empreendedorismo, propensão para a mudança, capacidade de trabalhar em equipa, liderar e tomar decisões, forte sentido ético e aptidão para aceitar e aprender com os erros e críticas.
Voltemos então à personagem principal e “case study” desta crónica.

Cristiano Ronaldo veio para o Continente com 11 anos, arriscou, amadureceu mais cedo e tem uma capacidade de trabalho, uma força de vontade e uma ambição que constituem, sem dúvida, fatores diferenciadores.

A sua dedicação à carreira é a sua imagem de marca. Todo ele “transpira” futebol… E sabe gerir a pressão, encarando-a como parte do processo de aprendizagem e assumindo que “as adversidades fazem parte da vida”. Quando, durante o jogo, é alvo de assobios por parte dos adeptos da equipa adversária, em jeito de provocação e desconcentração, ou ainda recebe fortes críticas por parte da comunicação social, CR7 parece alimentar-se dessas censuras e acredita no regresso dos momentos áureos. Vejamos o caso do ridículo episódio do presidente da FIFA, que decidiu tornar pública a sua preferência por Messi e imitar Cristiano Ronaldo. E como reagiu o CR7?: “Desejo ao senhor Blatter saúde e uma vida longa, com a certeza de que ele vai continuar a testemunhar, como merece, os sucessos dos seus clubes e jogadores favoritos”. Apenas um comentário: brilhante!

É reconhecidamente um exemplo de profissionalismo dentro e fora de campo. O primeiro a chegar aos treinos e o último a sair... E sempre teve a noção de que o talento não é sinónimo de sucesso se não existir disciplina, o que requer muito trabalho e dedicação diária. E nem pensar em descansar sobre os louros! O rigor e a paixão, com que encara a missão de representar o seu Clube ou o seu País, chamam por ele.

A emoção, que o invadiu na cerimónia em Zurique, realça um homem com valores, que, sem qualquer pudor, deixou transparecer os seus sentimentos. Será que este e outros episódios terão atenuado, quiçá eliminado, o seu rótulo de “arrogante” que alguns teimam em continuar a atribuir-lhe? A resposta do craque ao pedido de desculpas da Pepsi, um caso abordado na aula com os meus alunos do Curso Técnico de Marketing, corrobora esse lado humano e humilde: 'Ninguém é perfeito e todos erramos. O mais importante é pedir desculpas e demonstrar que o que sentes é verdadeiro. Por isso... desculpas aceites, Pepsi!'.

O ‘Ballon D’Or’ foi com certeza resultante da sua performance nos relvados, mas também decorrente da atitude fora do campo e da sua eficaz estratégia de comunicação. “…Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” (Fernando Pessoa), assenta como uma luva ao “nosso” CR7 que, entretanto, já tem o seu castelo em fase adiantada de construção, a recompensa de um trabalho constante e de uma vontade de vencer inabalável.
Já agora, parabéns pela condecoração de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique!

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