Nunca estás só

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Diogo Morgado

Hoje escrevo com uma lágrima no canto do olho, recordando o jovem Nélson que ainda de tenra idade partiu cedo, demasiado cedo.
Segundo as recentes notícias, o jovem fora sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em risco (CPCJ), processo arquivado em setembro de 2012. Vivia em extrema pobreza e na escola, segundo relatos, sofria de bullying, sinais evidentes de alarme que o menino estava em sofrimento, aterrorizado, questionando-se se não seria melhor terminar com esta dor emocional insuportável.

Surgem-me logo imensas interrogações, qual terá sido o critério da CPCJ para arquivar o processo, o papel da escola, dos professores e dos colegas perante as ameaças e atos de violência que o pequeno sofria, a assistência social perante a situação precária da família, será que a atual conjuntura económica social depressiva, os cortes do Governo e do Ministério da Educação, a desmotivação dos professores ou até num sentido mais amplo a imprensa, devam ser responsabilizados por esta tragédia?

Poderia estar aqui a apresentar informações/estudos sobre bullying, vomitar dados estatísticos sobre suicídio, falar-vos do papel da escola e professores mas muito sinceramente esse será um assunto em que toda a gente terá uma opinião e algo a dizer, o meu intuito com este pequeno excerto é outro.

Por isso, escrevo-vos com o coração num momento como este, toda a teoria, todos os dados estatísticos são irrelevantes, há danos irreparáveis, um ser humano que não volta, um sofrimento que se irá prolongar, ao longo dos anos, que transformará a dor em saudade, deixando uma ferida demasiado.

Hoje, se o Céu abrisse uma fenda e permitisse que o menino espreitasse, sentiria o carinho das pessoas que genuinamente foram ao seu funeral, o sofrimento dos familiares e sobretudo veria que estava rodeado de pessoas que sentiam um amor e um carinho que antes, provavelmente não o tinham demonstrado, da melhor forma ou de uma forma que ele entendesse.

Esta tragédia não acontece só aos “outros”, falar sobre os sentimentos que cercam o suicídio pode levar ao entendimento e reduzir drasticamente/de forma acentuada a angústia imediata de uma pessoa suicida, os sinais não devem ser descurados e sobretudo procurar ajuda de quem lida com este problema, quem nunca passou pelo mesmo nunca irá estar preparado, sinceramente acho que nunca ninguém estará preparado!

Demonstrem que a vida apesar de todos os contratempos, dos dias que corram mal, de todos os problemas que não possam ser resolvidos no imediato, é um bem precioso, único, maravilhoso que devemos sempre valorizar.

Não somos nós que escolhemos o momento de partir, deixemos isso nas mãos de Deus, vamos viver cada segundo, cada momento que a vida nos proporciona com um sorriso, com uma atitude positiva e sobretudo focarmo-nos e valorizar-mos as coisas boas que a vida nos dá.
Deixo-vos com uma afirmação triste e dura, mas que descreve o que acontece no futuro, “o mal é de quem vai, para quem fica a vida continua”. Pensem nisso.

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