E que me dizes tu, esquerda minha?...

Ideias

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Martinho Gonçalves

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Desta vez, a crónica é escrita com uma dor de alma, na forma de uma interpelação desesperada, de um grito de revolta e é dirigida aqueles que, nestes tempos conturbados, têm por missão defender a aplicação em Portugal - e nos outros povos desta Europa velhinha, mas sempre liderante - dos ideias do socialismo democrático, assente na implementação e defesa de um modelo de governação que defenda e proteja os mais carenciados e dê liberdade e oportunidade aos outros para criar riqueza !
É que estou farto, mas mesmo farto de ouvir em Portugal - e na Europa, diga-se… - um único discurso, uma única fatalidade: “ O país não voltará a ser o que era. Essa realidade já não existe”; “Temos de empobrecer, só vamos sair da crise, empobrecendo!”.
É a teorização do discurso da pobreza e da austeridade como condição natural e fatal de um povo, veiculado sem contraditório, como se fosse uma verdade única e inelutável!
No meio desta tempestade, bombardeado por estas ideias e chavões, apresentados como única alternativa, como única solução, procuro, com atenção redobrada, saber o que têm a dizer “os meus”, os correligionários da esquerda democrática, do socialismo democrático, ao lado de quem eu sempre estive e combati, em quem eu sempre confiei!
E nessa procura angustiada, esbarro no conformismo, na ausência, no silêncio ensurdecedor, aqui e ali tenuemente quebrado com reacções às declarações da Troyka ou do Governo - que só têm o efeito de multiplicar essas mesmas declarações… - ou com a apresentação de umas propostas que se limitam a tornar um pouco menos dolorosa a aplicação das medidas dos orçamentos!...
E pergunto aos que vão ao leme da barca socialista: “ Têm uma política diferente, não têm? Mas, eles nada me dizem sobre como pretendem enfrentar o futuro, quando e se chamados a essa nobre tarefa pelo povo soberano!
Nada sobre vencimentos e pensões, nada sobre prestações sociais, nada sobre feriados, nada sobre energias renováveis, nada sobre exames a professores e alunos, nada sobre política de obras públicas, nada sobre cobrança de taxas às PPP, nada sobre imposto sobre grandes fortunas, enfim, um vazio de “nadas”!
E, citando Agustina Bessa Luís, eu diria que, mais do que nunca, “ o país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo”
Será que não há mesmo alternativas a esta desgraçada política que nos é imposta ferozmente pela Troyka e aceite pacificamente pelo Governo deste desgraçado país?
Oh, homens da esquerda democrática, eu vos imploro: se não há, digam-no por uma vez e calem-se para sempre!
Mas, se há alternativa, se há políticas e medidas concretas que nos possam tirar deste atoleiro em que vivemos, se há formas diferentes de encarar este feroz ataque que as forças do capital financeiro nos fizeram, então apresentai-as ao povo, dizei-lhe que há uma esperança, há outro caminho que não este, que o seu futuro e o dos seus filhos não está condenado a esta apagada e vil tristeza!
No fundo, bem no fundo da minha alma angustiada, eu quero acreditar que essas soluções existirão!
Mas, logo me assalta outra dúvida igualmente pertinente e decisiva na concretização do meu sonho em alcançar esse “tempo da libertação”, onde se fale da dignidade das pessoas, dos seus mais elementares direitos, do seu bem estar, de uma vida digna:
- Será que, nessa altura, teremos quem esteja à altura de liderar e de protagonizar esse espírito de mudança, esse grito de revolta, essa ruptura, essas novas políticas amigas do povo e hostis aos poderosos?
Ou será que faltará à esquerda um líder capaz de, como, de uma forma genial, dizia Mário Soares, possa “ Começar sozinho no Rossio e chegar ao Marquês com uma multidão?!!”
E por aqui me quedo, angustiado e expectante, mas pensando com os meus botões: “ O que falta, na verdade, à esquerda: um líder ou uma política? Ou as duas coisas?
Seja o que for, só me ocorre um pensamento: Acordai! Acordai!

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