Um negócio surreal…

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Filipe de Oliveira


O processo de venda das 85 obras do pintor surrealista Miró está a ser um verdadeiro desastre, ou melhor, roça mesmo o surrealismo. Tudo foi tratado com grande leviandade, e nem a lei foi cumprida.
O cúmulo do descrédito foi saber que, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, tem tanto conhecimento sobre este assunto como qualquer um de nós. O seu peso político é zero, foi humilhado, e gostaria de perguntar-lhe o seguinte: “O que falta acontecer, para apresentar a demissão?”.

Como o Governo acha que a colecção não tem interesse, e como vale uns milhões, quer despachá-la, o quanto antes. A estratégia de “vender os anéis” sempre causou arrepios aos portugueses, o que resulta, nomeadamente, de uma total falta de visão para a Cultura. Se tivessem esta capacidade, ter-se-iam, certamente, esforçado para que as obras continuassem em Portugal.

É óbvio que, não basta ficar com as obras e arrumá-las em prateleiras, como se fossem pacotes de arroz. A colecção teria de ter uma forte dinâmica, e seria investimento e não custo.
Aliás, o Turismo poderia ser beneficiado, com uma forte aposta em Arte Contemporânea, pois Portugal não pode ser conhecido como um país que tem, apenas e só, excelentes praias.
Independentemente de toda a polémica, uma coisa é certa: muitas pessoas passaram a saber quem foi Joan Miró - um dos maiores artistas do século XX.

Quem diria que o artista catalão conseguiria, durante várias semanas, ter grande visibilidade, em Portugal, como se de um artista da bola se tratasse?
Não é novidade nenhuma que o actual Governo não gosta da Cultura, daí ter optado pela extinção do ministério da Cultura, e ter apresentado o mais baixo orçamento de sempre, para o respectivo sector.

Deve-se assinalar um pequeno parêntesis: o antigo ministro da Cultura do Governo grego, Pavlos Geroulanos, disse, em 2012, que é uma ‘loucura’ Portugal não ter um ministério dedicado à Cultura, defendendo também que esta área pode gerar “benefícios” e promover a imagem nacional.

O combate às políticas que visam reduzir a Cultura a cinzas, quer surjam da direita, esquerda ou centro, é fundamental, assim como a luta pela preservação do nosso Património Cultural.
Como dizia Churchill, se não é para preservar a Cultura, então para que é que estamos em guerra?

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