A dimensão social

Ideias

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José F. G. Mendes

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Na última sexta feira participei no seminário “Inovação, Crescimento e Emprego”, organizado pela empresa GTI em Braga, que contou com a presença de muitos dos atores da sociedade local, para além do ministro da Economia. Do programa, que me surpreendeu pela positiva, gostaria de recordar hoje a homenagem oferecida aos atletas campeões e uma troca de argumentos sobre a dimensão social da economia.

Os organizadores do seminário resolveram intercalar no programa um momento particularmente marcante, de apreço por um conjunto de mulheres e homens que atingiram a excelência no plano desportivo. O exemplo destes campeões da Europa e do Mundo é bem inspirador do potencial de toda uma região minhota. Talento, dedicação, trabalho árduo e organização são os atributos que guindaram estes protagonistas ao estrelato, competindo com os mais bem preparados da arena internacional.

Não há como deixar de sentir orgulho, sobretudo quando presenciamos a sua atitude humilde, sem vedetismos. Parabéns aos craques José Macedo e Luís Silva (Boccia), Rui Costa (ciclismo, que não pode estar presente), Carlos Sá (ultramaratona), Paulo Gonçalves (motociclismo), Diogo Costa (duplo mini-trampolim), Emanuel Silva e João Ribeiro (canoagem), Tiago Sousa (jet sky), Dulce Félix e Sara Moreira (atletismo) e Elisabete Silva (Karaté). E também aos seus clubes, que disponibilizam as condições para que os atletas façam o seu trabalho diário e representem as cores nacionais com a qualidade e dignidade exigíveis.

No painel final do seminário, juntaram-se à mesma mesa, sob a batuta de Carlos Magno e perante um auditório repleto de gente interessada, Daniel Bessa, Carlos Neves, José Leitão, João Manuel Duque, João Cortez, para além de mim próprio. Falando antes de mim, o professor João Duque, que representava o Polo de Braga da Universidade Católica, fez uma chamada de atenção que reputo de muito pertinente.

Referia-se à sofreguidão com que muitos de nós nos deixamos envolver nas nossas atividades diárias, pressionados pela necessidade de criar valor económico, manietados pelas tecnologias e pelo imediatismo, abdicando frequentemente de um olhar mais distanciado, mais centrado na pessoa e nos valores do humanismo. Um caminho que, segundo ele, retira muitas vezes sentido à nossa ação e que tende a sobrevalorizar a dimensão técnica em desfavor da dimensão social.

Tendo a palavra imediatamente após a intervenção do meu colega da Católica, não desperdicei a oportunidade para concordar com a sua visão. Sem prejuízo das competências técnicas e do valor dos mecanismos de criação de riqueza, que são naturalmente necessários, a ideia de que o impacto económico se gera exclusivamente por via de engenheiros, cientistas e tecnólogos está hoje ultrapassada. Os jovens graduados em áreas das ciências sociais e das humanidades, que tantas vezes parecem autoexcluir-se das modernas cadeias de valor, precisam acreditar que têm um papel central no desenvolvimento das empresas.

Quem pensa que as Google, Facebook, Microsoft, os fabricantes de automóveis, os gigantes da confecção e do calçado, as consultoras, as elétricas e as telecom’s, para referir apenas algumas, só empregam engenheiros e gestores está desatualizado. Hoje, essas empresas procuram sociólogos, filósofos, antropólogos, linguistas, jornalistas, etc., na medida em que estão mais do que nunca interessadas em desenvolver e vender soluções que respondam às necessidades, problemas, anseios e aspirações das pessoas. E quem melhor sabe interpretar essas tendências não são, de todo, os tecnólogos.

O produto desprovido de sentido, desenquadrado da sua dimensão social e humana, tem os dias contados, pelo que, também nas cadeias de valor, há lugar ao momento de pensamento e perspetiva. São cada vez mais as empresas que procuram esse caminho inspirador, através da criação de espaços individuais e coletivos em que todos e cada um refletem sobre a dimensão transformacional do seu negócio. A inovação passa também por aqui.

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