Nos quarenta anos do 25 de Abril

Voz às Escolas

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Fausto Farinha

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O25 de abril foi, sem dúvida, uma grande mudança e, hoje, dificilmente imaginamos uma organização em que qualquer opinião facilmente se tornava delito, logo punível. Os jovens de então, desde os 16, 17 anos viviam com o horizonte imediato do serviço militar obrigatório que lhes colhia a vida e a juventude.

Mas o sonho por um mundo melhor não deixava de ser embalado pela poesia e pela música, num movimento que atravessava não só gerações de jovens portugueses como se estendia além fronteiras. Por isso a deposição de Marcelo Caetano e do regime autocrático, dados os primeiros passos, tornou-se irreversível, não querendo com isto desvalorizar a organização e os atos individuais de todos os que arriscaram lutar pela mudança e, ainda, daqueles que durante décadas não desistiram, pagando muitas vezes um preço elevado, incluindo nalguns casos a própria vida.

Falamos hoje muito facilmente dos desvios, da crise, da dívida, do dinheiro mal gasto como se no passado tivesse existido um tempo mágico de honestidade e competência. O que tínhamos de facto era um Portugal atrasado, analfabeto e pobre. Poderiam ter existido outras propostas de desenvolvimento, centradas essencialmente na qualidade de vida e as reformas poderiam ter sido pensadas e executadas de forma diferente e até de modo muito mais eficiente. Sabemos apontar muitos erros e caminhos que se deveriam ter evitado. É fácil ver o filme da frente para trás e sabermos agora o que devíamos ter feito. Mas a vida como a revolução não tem guião… é construção esforçada, muitas vezes sem rede e até acaso.

Quando focamos o olhar na educação constatamos que passámos de um país com uma significativa população analfabeta para a situação atual em que nas gerações mais jovens estamos a par dos países mais desenvolvidos. Há, contudo, o insucesso escolar que atinge quase 20% da população, aliado muitas vezes a situações de pobreza e enquanto cidadãos e professores, não podemos deixar de ficar incomodados e interpelados. Este problema do insucesso e abandono escolar, ainda que marginal, continua a excluir e a contribuir para que a pobreza pareça hereditária e, por isso, não podemos ficar confortáveis. Claro que o sucesso deste grupo de alunos exige recursos, organização diferenciada, envolvimento e querer político, mas também vontades individuais. A escola, as escolas, naturalmente tendem para o aluno médio e aí obtemos bons resultados.

Nestes 40 anos do 25 de abril se me é permitido formular um desejo é que se concentrem esforços para que nas escolas se ultrapasse esta franja de insucesso crónico, agora que apostámos na escolaridade obrigatória até aos dezoito anos, sabendo que esse é também o caminho para se ultrapassarem muitas das situações de pobreza.

Não queremos terminar esta crónica sem felicitar a organização da Mostra de Teatro Escolar que decorre esta semana e permite aos grupos de teatro escolar sair do seu espaço natural e mostrarem-se no Teatro Circo a toda a comunidade. Claro que o esforço dos alunos, dos professores e das famílias merece esta oportunidade e visibilidade e a nossa presença.

Neste mês, evoquemos ainda o 25 de abril com uns minutos diários de poesia, de música e também de silêncio… e memória. E nesta evocação da memória recordo as comemorações do 10.º aniversário do 25 de abril promovidas neste liceu e aquele cravo colocado na escadaria principal e que foi primeira página do jornal Correio do Minho nos anos noventa…

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