Eurodeputado do Minho? O Partido Socialista não quer, obrigado!

Ideias

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Martinho Gonçalves

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A revelação das listas dos deputados candidatos ao Parlamento Europeu colocou, uma vez mais, em evidência a falta de peso político que os socialistas do Minho (Braga e Viana do Castelo) têm no panorama nacional do partido, uma realidade que não surpreende, mas que não deixa de constituir um forte revés e um motivo de tristeza para todos os seus dedicados e fervorosos apaniguados!

Ao não colocar nenhum dos seus militantes ( ou simpatizantes..) em lugar elegível e ao ver a Distrital do Porto colocar três (!!!) militantes nessa ‘zona de conforto’ da lista (Francisco Assis, Elisa Ferreira e Manuel dos Santos), o Partido Socialista de Braga sofreu uma humilhante derrota que, para além do mais, o deixa sem discurso para a campanha eleitoral, entregando, de mão beijada, ao PSD a luta pela afirmação da região como uma realidade a ter em conta no panorama político nacional e internacional!

Numa altura em que, como nunca aconteceu, as políticas de apoio e de financiamento ao tecido empresarial se decidem em Bruxelas, esta ausência de representantes no Parlamento Europeu é uma machadada muito forte na credibilidade e na capacidade dos socialistas minhotos em defenderem os cidadãos e as empresas minhotas!

Talvez não valha a pena “chorar sobre o leite derramado”, mas para aqueles que, como eu, “sejam do clube e sintam a camisola”, será interessante e pedagógico tentar perceber as causas de tão rotunda (e repetida…) derrota da distrital de Braga do PS.
Na origem deste fracasso estarão, por um lado, a inexistente afirmação e influência do PS distrital no contexto nacional do partido e, por outro, a forma injusta como os socialistas do Minho foram tratados pelo Secretário Geral do PS, António José Seguro!

Na génese do problema, julgo poder enunciar a circunstância de, depois do período revolucionário pós 25 de Abril, o PS distrital, paulatinamente, se ter começado a fechar sobre si próprio, não conseguindo atrair para o seu seio figuras relevantes da sociedade, com provas dadas através dos seus desempenhos pessoais e empresariais.

Essa ausência de nomes sonantes que pudessem dar corpo e voz nacional à realidade distrital, abriu caminho para que, ao longo destes últimos 30 anos, o partido se tenha fechado no labirinto do seu aparelho, comandado por um pequeno grupo de autarcas, com forte implantação local, mas sem prestígio nacional, designadamente, junto das figuras do PS nacional!

E foram esses autarcas que, ao longos dos anos, ditaram as regras e as decisões sobre tudo o que significava representação do distrito, evitando assumir qualquer um deles cargos de relevância nacional e escolhendo as figuras de segundo plano para os representar quer nos órgãos do partido quer nos cargos parlamentares e de governo!

Como os vários secretários gerais do PS percebiam que esses autarcas que mandavam na distrital só usavam o seu poder local para conseguir os objectivos que satisfizessem os seus (legítimos…) anseios de deixar obra feita nos seus municípios, nunca se preocuparam em atribuir a Braga a representação condigna a que tem direito nos lugares mais relevantes (Parlamento Europeu e Governo), porque sabiam que ninguém se levantaria para fazer pôr em causa essas escolhas que afastavam os minhotos desses lugares de destaque.

Infelizmente, hoje em dia, o PS de Braga não tem nenhuma figura de projecção nacional, que se imponha pelo seu valor e não pelo seu peso no aparelho partidário, de modo a ser considerada pela direcção nacional do partido como uma hipótese a considerar como mais valia política para o partido!

Ora, aqui chegados, e com esses autarcas dinossauros reformados e fora de combate, sem o poder que tinham, sobravam as tais figuras de segundo plano, que (com a honrosa excepção do Dr. Laurentino Dias!) nunca mereceram a consideração e o reconhecimento político da direcção nacional do partido e que são “presas fáceis” para remeter para um discreto e cinzento lugar inelegível!...

Foi, certamente, isso que pensou António José Seguro que, ignorando a sua ligação ao distrito (onde foi, por duas vezes, cabeça de lista às eleições legislativas!...) e o forte empenhamento da esmagadora maioria dos militantes do distrito na sua eleição para Secretário Geral do PS, não hesitou em colocar Fernando Moniz num modesto 11.º lugar, atrás de três (!!!) representantes do Porto e dos representantes dos Açores e da Madeira!

E parece que AJS conhece bem os seus “amigos” de Braga, porque, a avaliar pelo “silêncio ensurdecedor” que por cá perdura desde a apresentação da lista, está confiante que eles lhe perdoarão e esquecerão rapidamente esta desfeita! Às tantas, tem razão…

Este triste episódio é o corolário de uma postura prepotente no distrito e submissa em Lisboa, que coloca os socialistas de Braga a olhar para estas eleições europeias com um sentimento de frustração e de vergonha, por verem que, afinal, são seus principais opositores que tratam a nossa terra com a consideração e o respeito que ela merece!

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