Escola pública, cidadania e oportunidades

Voz às Escolas

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Fausto Farinha

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As múltiplas análises aos quarenta anos do 25 de abril presentes na generalidade da comunicação social proporcionaram o revisitar as múltiplas mudanças verificadas na sociedade portuguesa, em particular no campo da educação. As referências aos progressos verificados foram acentuadas: de facto a Escola Pública, pelo seu carater interclassista, possibilitou a mobilidade social e o efetivo desenvolvimento social e económico de franjas da sociedade até aí afastadas da escola e, progressivamente, o fim do analfabetismo crónico a que estava votada uma parte significativa da população portuguesa, através da educação de adultos.

Estes mesmos factos foram acentuados numa conversa realizada dia 24 de abril no auditório da Escola Sá de Miranda, promovida pela Junta de Freguesia de S. Vicente em colaboração com o nosso agrupamento e, que teve nas comunicações do Professor Doutor Licínio Lima e do Dr. José Miguel Braga o momento alto. Cerca de cem alunos do ensino secundário e alguns professores ouvirem memórias de abril e poesia por quem o viveu e reflete sobre este momento especial da nossa história.

Foi a escola pública que formou a grande maioria dos quadros do país nos anos oitenta e noventa do século passado e permitiu a mobilidade social. Existiam nesse período poucos estabe- lecimentos privados de qualidade e serviam, essencialmente, as elites tradicionais. Hoje assistimos a um processo contrário: votar a escola pública aos que não têm outra opção. No nosso entender por duas ou três razões marginais: os numerus clausus para determinados cursos, nomeadamente medicina, valorizaram os resultados académicos.

O Ministério da educação não foi capaz de assumir uma prova de competências para acesso aos cursos de medicina (depois de gastar milhares de euros na sua conceção) e as universidades nunca implementaram um sistema de avaliação dos alunos que pretendiam frequentar os seus cursos. A todos foi mais fácil aceitar o centralismo burocrático e conveniente. A segunda tem a ver com a possibilidade de maior controle no ensino privado: sobre os alunos, os professores e logo sobre os resultados. E. por último, o fraco sistema de prestação de contas da escola pública.

Cada um destes itens merecia um tratamento que ultrapassa claramente o objetivo desta crónica. Mas temos a certeza de que a Escola Pública é referência de um espaço de cidadania e de igualdade de oportunidades e devemos publicitar os muitos exemplos que no quotidiano fazem as escolas diferentes. Neste contexto não posso deixar de referir o espanto que a representação do espetáculo (teatro, música…) O Segredo da Floresta nos causou.

A pergunta que perpassa: como foi possível colocar em cena, no Teatro Circo, cerca de cem alunos e gerir com qualidade a sua atuação? Como é possível manter estes jovens disponíveis para representar o agrupamento no encontro nacional de teatro escolar, dia 9 de maio em Coimbra? Claro que o profissionalismo dos docentes e a vontade dos alunos e das famílias fazem a diferença. E quando a peça for reposta no Teatro da escola o desafio para que os leitores nos visitem.

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