Humanidade sensorial

Ideias

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Ricardo Carrola

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Fruto destas rubricas, na semana passada alguém me perguntava o tipo de empresas onde será seguro apostar ou investir. Mais do que uma ciência exacta ou mero palpite, apenas podemos (tentar) ler as tendências do mercado e esperar que o nosso sexto sentido de empreendedores funcione correctamente. Tendências como a dos dispositivos com sensores embebidos estão em alta. Sensores de localização ou posição, de temperatura, de velocidade, de inclinação, de luz, de batimentos cardíacos… Tudo o que conseguimos medir no mundo real é passível de colocar num destes aparelhos. Pulseiras, relógios, telemóveis, anéis, óculos e um sem fim de dispositivos wearables (usáveis) que apareceram nos últimos tempos. Parte de uma senda pela busca de um ou vários companheiros perfeitos para o desporto ou fitness, para o cuidado da saúde ou um outro qualquer motivo, estes gadgets vieram para ficar. E as abordagens dividem-se. Se pensarmos nos nossos actuais óculos, podemos pensar neles como próteses que ajudam a devolver a visão quase perfeita de quem os usa. Mas será esse o objectivo máximo? A correcção de defeitos? Já ca voltaremos. Na mesma perspectiva e com o mesmo objectivo podemos ir mais fundo até chegar à biónica. A biónica é a ciência que estuda os processos biológicos com vista a aplicar processos idênticos a produtos artificiais. Como por exemplo, os implantes. Este ano a FDA, Food and Drug Administration nos Estados Unidos aprovou após oito anos de estudo o primeiro braço biónico para venda neste país. Este novo braço biónico vem adicionar uma sensibilidade extra aos seus utilizadores, já que gestos como o apanhar de uma moeda, ou o correr do fecho de um casaco são agora possíveis. A busca da Humanidade pela devolução das funções naturais do corpo usando estes dispositivos é agora uma realidade. Mas uma nova tendência esta a surgir. Incipiente e tímida, mas patente numa comunidade já fervorosa. O biohacking. Cientistas e engenheiros deixaram de usar a tecnologia perto de si para passar a transporta-la dentro de si. Não como forma de corrigir um qualquer problema mas como forma de melhorar as funções naturais do corpo. Dispositivos de localização, como um GPS implantado no ombro, que nos permite “sentir” o norte magnético, ou chips RFID, que nos permitem abrir portas apenas por mero toque, são exemplos desta tendência. Será que o futuro é este? A comunidade médica tem tido um comportamento preventivo e cuidadoso face a esta nova comunidade, e claro está, aconselha precaução. Um exemplo de biohacking é a utilização de ímanes especiais implantados nos ouvidos, que sem quaisquer fios, permitem por exemplo ouvir música ou interagir com dispositivos electrónicos, como por exemplo o telemóvel. A questão de poder “melhorar” com recurso a estes implantes as funções naturais do nosso corpo eleva estas próteses a um patamar superior. Já não procuramos recuperar funções do corpo, mas sim melhorar a nossa performance em diversas áreas. Vejo dois futuros paralelos, um onde transportaremos perto de nós os nossos gadgets e outro, onde transportaremos dentro de nós, esses mesmos gadgets. Ambos com a mesma função - devolver ou aumentar a “sensibilidade” à Humanidade. Investir? Ambos são o futuro. Sem dúvida. A questão será apenas o tempo que demoraremos a aceitar transportar dentro de nós toda esta parafernália tecnológica. Cinco anos? Dez anos? Para já é bastante mais simples colocar uma pulseira com sensores do que implantar um chip. Quem sabe os implantes são os piercings do futuro? Moda ou evolução? A ver vamos.
Até daqui a quinze dias,

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