A extinção da escrita

Ideias

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Ricardo Carrola

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Esta semana ficou marcada pelas novidades da Apple, que na sua conferência anual para programadores apresentou as novas estrelas da companhia - novos sistemas operativos para as suas diversas máquinas e um enfoque particular na integração com os sistemas de automação para casas inteligentes. Controlar o brilho das luzes da sua habitação, descer ou subir persianas, controlar a temperatura, a abertura da porta principal… Tudo ao alcance do seu dispositivo móvel. Mas as grandes novidades foram mesmo as integrações presentes entre o novo iOS 8 (para o seu iPhone) e OS X Yosemite. Possibilidade de ver quem lhe liga e atender no portátil ou computador as chamadas são algumas das muitas funcionalidades apresentadas nesta conferência anual da marca. Foi também apresentada uma nova forma de colectar e mostrar os dados de todos os dispositivos ligados a área da saúde e fitness (HealthKit). Outro dos aspectos que foi melhorado com a introdução do iOS 8 foi uma nova funcionalidade de escrita inteligente - um teclado melhorado e a possibilidade de usar teclados externos ao próprio sistema operativo. Fantástico. Uma melhoria que incide sobre a própria escrita. A escrita. Uma forma de representar pensamentos e ideias, uma arte com mais de oito mil anos. Desenvolvida a partir de ideogramas, que representavam a ideia e o som de um objecto. No nosso alfabeto a letra “m” provem de um hieróglifo egípcio que retratava ondas na água e representava esse mesmo som, pelo que a palavra egípcia para agua contem esta única consoante - “m”. A evolução da escrita ao longo dos séculos foi enorme e chegamos agora a um ponto crítico. A um ponto de viragem nesta tecnologia milenar. A partir de 2010 o crescimento dos dispositivos móveis foi simplesmente exponencial. Com a entrada destes novos gadgets que transportamos diariamente, a necessidade da escrita tradicional reduziu-se de forma explosiva. O advento dos tablets e computadores ultra portáteis ajudou ainda mais a acentuar esta grande diferença. Vemos a introdução de novas tecnologias e tablets nas escolas do ensino básico e preparatório a um ritmo alucinante pelo que posso concluir que a caneta tal como a conhecemos hoje, está em extinção. A caneta e mais especificamente a escrita estão definitivamente em extinção. Estudos provam que a aprendizagem da escrita tem uma grande influência no desenvolvimento cognitivo das crianças. Não existem, ao meu conhecimento, ainda estudos sobre o impacto da utilização dos tablets ou teclados nestes domínios. Um dos maiores fabricantes de canetas do mundo, verificando essa tendência, reinventou o conceito. Criou uma nova caneta com duas pontas. Uma, para usar nos dispositivos e outra para o tradicional papel. Uma ideia brilhante e com certeza a reinvenção de uma das maiores invenções do mundo. Mas será suficiente? Alguns artigos referem que a evolução da caligrafia e da arte da escrita, em breve, serão exactamente isso. Uma forma de arte. Daqui a menos de um século olharemos para uma carta manuscrita como quem olha para um quadro de um qualquer artista famoso. Com espanto e admiração. Os mais puristas e tradicionais dirão que este futuro é falso. Mas quem consegue dize-lo com certeza? Fruto da evolução natural ou de uma tendência, os factos são inegáveis -hoje em dia, escrevemos muito menos. Quanto a mim, o prazer da escrita, continua a ser exactamente isso. Inegável.
Até daqui a quinze dias,

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