Cavaco - Contra o povo e ao lado do Governo!

Ideias

autor

Martinho Gonçalves

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Desde que a famigerada Troika entrou em Portugal, o país e o seu povo vivem um tempo de sacrifício e de humilhação sem paralelo na sua história!
Não é ainda este o tempo para a discussão sobre quem tem mais ou menos culpa por esta perda de uma parte substancial da nossa soberania. O decorrer do tempo transportará para os historiadores a incumbência de, com a distância que a História precisa para ser isenta, ajuizar sobre essas responsabilidades.

Há, porém, algumas posições e declarações (ou a falta delas…) que já nos permitem dizer de nossa justiça sobre o posicionamento de algumas das organizações e figuras públicas que intervieram neste processo. Aproveitando a nossa fragilidade, as três organizações internacionais elaboraram um programa que, já por si, consubstanciava fortes sacrifícios para os portugueses, pelo que, desse lado, não poderíamos contar com compreensão e ajuda para amenizá-los.

Do Governo, esperaríamos que não acrescentasse dificuldades àquelas que constavam do programa e procurasse, dentro da margem de manobra que sempre teria, atenuar o impacto desses sacrifícios. Ora, o que vimos foi Passos Coelho e Paulo Portas, com grande petulância, proclamarem de uma forma bem clara que queriam “ir para além da Troika”, ou seja, acrescentar sacrifícios aos portugueses em nome de uma expiação dos pecados cometidos desde o 25 de Abril, dando, assim, corpo à famigerada tese de que “os portugueses tinham vivido acima das suas possibilidades”!

Ora, o povo, encurralado por estes dois “inimigos” e sabendo que da oposição só poderia esperar apoio moral que os consolasse na desgraça, centrou as suas esperanças em duas instâncias de recurso: no Tribunal Constitucional e na Presidência da República!
Dos Juízes do Palácio Ratton, tem recebido um amparo e um conforto que tem minorado o impacto dos brutais sacrifícios que lhes impuseram, embora as decisões tomadas não tenham estancado todos os abusos que o Governo pretendeu fazer.

Mas, foi em Belém que o povo mais esperanças depositou para encontrar um braço amigo que o ajudasse, que estivesse ao seu lado, que usasse a sua palavra e a sua influência com firmeza, quer em Portugal quer na Europa, que comungasse das suas dores e dos seus sacrifícios!
Porém, em Belém não estava o “Presidente de todos os portugueses”! Estava, para nossa desgraça, Cavaco Silva, o Presidente mais sectário e menos isento da história da nossa democracia!

Estava alguém que, tendo sido eleito para representar e estar ao lado do povo, e especialmente, daquele que mais sofre e está mais desprotegido, o tinha abandonado, juntando-se àqueles (Troika e Governo) que tudo fizeram para desgraçar esse mesmo povo!
E como se não bastassem os discursos simpáticos para o Governo, nos momentos em que o povo estava a ser vítima das suas brutais medidas de austeridade, Cavaco optou, conscientemente, por permitir o desrespeito pela Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir!

Por três vezes, não quis enviar para o Tribunal Constitucional os Orçamentos de Estado que continham normas claramente inconstitucionais, fazendo o frete ao Governo e garantindo-lhe seis meses de cobrança abusiva e ilegal de rendimentos espoliados aos cidadãos!
Por três vezes, sofreu a humilhação de ver o Tribunal Constitucional, por larga maioria dos Juízes, decretar essas inconstitucionalidades e deixá-lo sem fala e sem explicação aos portugueses para a sua derrota!

Estranhamente, este Presidente tem beneficiado de uma complacência fora do normal, principalmente, por parte dos partidos da oposição, porque esta reiterada e ostensiva postura de afronta aos portugueses seria razão mais do que suficiente para que os portugueses exigissem que o Presidente renunciasse ao seu lugar!

Pobre país o nosso que, no momento em que mais precisava de ter em Belém uma figura de respeito e com autoridade moral e política para intervir, tem o infortúnio de lhe ter saído em sorte um Presidente frouxo, nada isento e que, em vez de o defender, afronta o povo!
Ficará na História, sim! Mas, infelizmente, pelos piores motivos!

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