Suores frios

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Ricardo Carrola

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Recentemente aprendemos uma nova forma de vida. Estamos quase sempre ligados à internet e prontos a controlar o que se passa no mundo e arredores. É engraçado constatar este facto. Seja nos transportes públicos, nas ruas, nos espaços de convívio, nas nossas casas e em praticamente todos os lugares.

A conclusão é imediata. A quantidade de pessoas que circula com o seu respectivo smartphone na mão é avassaladora. Ligados. Online. É fácil constatar o elevado número de pessoas que circulam de cabeça baixa, focados numa realidade social digital em detrimento da dimensão física actual. E há quem tenha literalmente um choque. “Desculpe, não o vi…” A absorção e a imersão digital são imensas. Literalmente chocante.

Quase como de uma ligeira dependência se tratasse. A quantidade de informação disponível é gigantesca. Quase tudo pode ser encontrado online. Mais do que apenas uma fonte de informação, a Internet passou a ser também um espaço social. De convívio, de restauro de relações perdidas no tempo e na história.

A internet na sua dimensão social explorada por um sem número de portais e serviços online destinados a colmatar as necessidades sociais dos seus utilizadores. O colega de escola com que não falamos há mais de 20 anos, a vizinha com quem falámos uma vez, o/a colega do escritório ao lado que nos dá todos os dias o seu Bom dia vibrante. É simples pedir amizade. A amizade à distância do apertar de um botão. Simples. Viciante.

O nível de exposição actual e a quantidade de informação partilhada nas redes sociais é realmente alarmante. Não apenas a quantidade de informação partilhada mas também a qualidade desta. Pessoas que partilham online na sua rede social, o seu estado actual. “De férias”. Mote para assaltos levados a cabo por ladrões com um olfacto digital - Se está em férias, está fora de casa.

A ocasião faz o ladrão. Este tipo de eventos despertou algumas consciências quanto à protecção dos nossos dados online. Recentemente a própria Google foi condenada a ter de apagar o registo ou pegada digital de um cidadão por ordem de um tribunal, sendo que o próprio tinha feito esse mesmo pedido. Assustador? Lembro-me de ser criança e de me ter sido dito inúmeras vezes: “Não fales com desconhecidos!”.

Mas afinal qual é o verdadeiro significado da palavra desconhecido? E se alguém nos abordasse na rua e nos pedisse amizade? Alguém com quem nunca tivéssemos falado, interagido, conhecido? No mundo virtual a definição de desconhecido ou estranho, esbate-se. Não estamos habituados a lidar com isso. Mas mesmo assim, o estranho está sempre presente na nossa vida online.

E tal como dependência da qual dependemos, estudos recentes mostram que nós - Portugueses, passamos uma boa parte do nosso dia nas redes sociais. Ontem, uma das maiores redes sociais do mundo esteve desligada para alegada intervenção uma boa meia hora. Algures no País alguém tremia. Suores frios, tremores e outras indagações. Estaremos assim tão dependentes da rede das redes?

A curiosidade Humana, traço que permitiu tantos avanços tecnológicos e científicos é o expoente máximo a explorar. A razão é simples e a receita é de sucesso. Diz-me o que fazes, onde estas e com quem estás. A mim, interessa-me apenas, alertar e educar. Alertar para os riscos e educar na forma de utilizar estas novas ferramentas de forma socialmente responsável. Afinal, a velha máxima mantem-se - A curiosidade matou o gato.

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