“É por estas e outras que histórias lindas de vida acabam num beco sem saída porque os portugueses merecem melhor Estado e administração pública, estes sim, os verdadeiros deficientes e cerebralmente paralisados.”
Escrita em DiaQueremos partilhar neste início de semana uma lindíssima história que se vive no Minho, na pessoa de uma jovem de Esposende, da freguesia de Fonte boa.
Uma rapariga com paralisia cerebral é a mais jovem finalista da área da engenharia da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viana do Castelo, preparando-se para terminar o curso com uma média de '14 ou 15' valores.
A Rosinha Carreira 20 anos, nunca chumbou e está no último ano do curso de Tecnologia de Computação Gráfica e Multimédia. Com uma média de 15 valores.
Com o curso no fim, sonha agora encontrar um emprego na área da criação de páginas web, já que os computadores são a sua grande paixão. Tem computador desde os 10 anos, mas a garra e a força de vontade são alguns dos segredos para o sucesso escolar de Rosinha — confessa um dos
seus professores.
A Rosa encarou a doença não como uma fatalidade mas sim como um desafio a que junta a pontualidade, o empenho e a organização que ela põe no seu dia-a-dia escolar.
Neste desafio colabora o pai, um agricultor que a t
ransporta todos os dias, fazendo 140 quilómetros em cada dia, com gosto e com amor, a pensar no futuro da filha.
Se a Rosa reconhece que ele 'é um grande pai', este também pode afirmar com vaidade que tem uma grande filha que está a tirar a carta de condução, para evitar este cansaço diário ao pai.
Mas não há bela história sem uma faceta negra: a Rosa está há nove meses à espera que a chamem para uma Junta Médica pois sem ela não pode tirar a carta de condução.
Este é mais um exemplo do nosso país que não ajuda quem quer fazer e ser mais e melhor. É inadmissível o que estão a fazer a esta jovem com paralisia cerebral e repete-se em outros casos em que o Estado, em vez de incentivar, leva ao desânimo.
Mais uma vez se prova que o pior dos portugueses é a sua administração pública e, afinal, os deficientes são os que se dizem normais. É por estas e outras que histórias lindas de vida acabam num beco sem saída porque os portugueses merecem melhor Estado e administração pública, estes sim, os verdadeiros deficientes e cerebralmente paralisados.
Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.
Gostei muito deste artigo. Eu também tenho uma filha com paralisia cerebral. Ela tem dois anos e meio de idade e nasceu prematuro de 6 semanas mais cedo. Obrigado por publicar esta história de coragem, amor e perseverança. Eu adicionei um blog sobre esta história em www.soajeiro.com
subscrição de newsletter