Exames de Matemática e Físico-química condicionam acesso aos cursos

Ensino

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Gaspar Rego

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Há dois anos que os cursos de engenharia, em particular os dos politécnicos fora dos grandes centros urbanos, sentem o estrangulamento provocado pela decisão de tornar obrigatório o exame de Físico-química, para além do de Matemática, para ingresso nos cursos de engenharia (à exceção dos da área de Informática que mantêm apenas o exame de Matemática). Em resultado desta decisão apenas 42% dos alunos que terminaram o 12.º prosseguiram para o ensino superior. Desta forma, como se poderão concretizar as metas para 2020 de termos 40% da população entre os 30 e os 34 anos com o ensino superior concluído?

No caso particular do curso de Engenharia Eletrónica e Redes de Computadores do Instituto Politécnico de Viana do Castelo [IPVC] há também motivos de preocupação quanto ao futuro. Este ano vamos assistir à última fornada de projetos realizados por alunos que, na sua esmagadora maioria, ingressou no curso via concursos nacionais.

Por um lado, tememos que no futuro não consigamos reproduzir os casos de sucesso de que tanto nos temos vindo a orgulhar, isto apesar de o curso nunca ter disposto no passado de condições, quer humanas (vários docentes terminarão os seus doutoramentos no decorrer do próximo ano letivo) quer materiais (através do investimento realizado via projeto “Capacitar para Formar”), como as presentes.

Por outro lado, o que temos constatado ao longo de duas décadas é que, pese embora todos reconheçamos que trazer boas bases de física ajuda a ultrapassar as dificuldades encontradas ao longo do curso, os nossos alunos têm demonstrado que esse fator não é determinante no seu sucesso. Os conceitos de física de que os alunos precisam são adquiridos, com o necessário empenho, ao longo do curso. O problema reside mais na falta das “ferramentas matemáticas” que utilizam nas diferentes disciplinas. Assim, o sucesso de um aluno está muito mais condicionado pelas deficiências de formação ao nível da matemática do que propriamente das de física.

Creio que esta análise devia ser motivo de reflexão para todos nós, uma vez que alguns dos alunos, com um desempenho absolutamente extraordinário em particular ao nível das competências técnicas, não teriam conseguido ingressar no curso à luz das novas regras de acesso, pelo que se impõe a pergunta: em que é que esta decisão beneficia os nossos jovens e consequentemente o país? Estamos a condicionar artificialmente o acesso dos nossos alunos a cursos de engenharia (que conferem uma licenciatura em 3 anos) para apostarmos nos cursos superiores de curta duração (de dois anos) que dificilmente vão cumprir os objetivos reais de formação por parte do tecido empresarial.

Noutros países, nomeadamente na China e no Brasil, assistimos a situações em que não existem instituições de ensino superior suficientes para absorver o número de candidatos disponíveis. O referido estrangulamento e o conhecimento dessa situação, tem levado várias instituições nacionais a celebrar protocolos de colaboração com as suas congéneres além-fronteiras. Talvez seja também essa a solução para o nosso curso, mas não para os nossos naturais candidatos.

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