O Turismo Transfronteiriço: Oportunidade para o Minho

Ensino

autor

Bruno Sousa

contactarnum. de artigos 2

Com estruturas integradas e recursos financeiros próprios, as regiões transfronteiriças são, muitas das vezes, capazes de abordar uma diversidade de tópicos. Disso são exemplo a saúde, a educação e formação, a gestão de resíduos, a proteção ambiental, a segurança, os transportes e comunicações, as infraestruturas e cooperação empresarial. Nesse campo, o turismo e o lazer não são, naturalmente, exceção.

O turismo tem a capacidade de influenciar as características sociais, económicas e espaciais de diversos padrões populacionais. Inclui, para tal, um complexo conjunto de atividades que envolvem uma diversidade de serviços, produtos e agentes económicos, por vezes entre dois territórios contíguos como, e nomeadamente, o caso das zonas (turísticas) transfronteiriças.

Neste sentido, a Euro-região Norte de Portugal e Galiza partilha um significativo património cultural e natural, com enorme potencial turístico. O intercâmbio regional parece registar um claro incremento a vários níveis, criando sinergias regionais altamente compensatórias.

A contiguidade paisagística e de cultura (seja material ou imaterial) entre o Norte de Portugal e a Galiza afirmam-se como elementos de proximidade e de coesão entre as duas regiões. Se, por um lado, os dois espaços territoriais são marcados pelas similaridades (alguns dos costumes, dos recursos turísticos ou a própria língua, entre outras), também não é menos verdade que existe uma elevada complementaridade entre ambos (veja-se o caso da gastronomia!), tornando este destino (por vezes conjunto) único, especial e bastante apetecível.

Neste domínio há ainda muito por fazer. Importa, desde logo e contudo, que se continue o esforço de ultrapassar alguns dos conflitos (que possam existir), na procura pelo desenvolvimento conjunto e em prol da afirmação deste destino turístico transfronteiriço no médio e longo prazo.

Estamos perante um território com mais de seis milhões de habitantes onde prevalece a interação social, económica, cultural e onde o turismo se afirma, progressivamente, como um vetor estratégico para o desenvolvimento dos dois espaços. Esta Euro-região assume-se, cada vez mais, como um território de oportunidades e com potencial de desenvolvimento, com recursos e produtos turísticos de elevado interesse.

Trata-se de um espaço de excelência para o desenvolvimento de diferentes produtos estratégicos, tal como o turismo cultural, o turismo religioso, o turismo paisagístico, a gastronomia e vinhos, o turismo de saúde e bem-estar, o turismo rural ou, inclusivamente, o turismo de nichos (composto por consumidores com interesses muito específicos, como o caso do turismo arquitetónico, da observação de pássaros ou o cicloturismo).

Um destino turístico deste tipo não só pode, como deve, ser visto como um sistema territorial de traços singulares, onde se reúnem duas comunidades sociais, e que integra alguns elementos primários que configuram o atraente e motivam a deslocação (levando a que o seu “todo” possa ser mais do que a simples “soma das partes”).

Neste sentido, o Norte de Portugal e, particularmente, o Minho deverão ter muito a ganhar com a emergência deste mercado turístico (com os “vizinhos” da Galiza) como um espaço territorial de visita comum! Um bom exemplo a destacar será o da Semana Santa em Braga onde milhares de visitantes passam pela cidade, exploram a região, vivem experiências únicas, desfrutam das celebrações religiosas e, alguns desses consumidores turísticos, não deixarão de visitar o outro lado da fronteira prolongando a sua visita e tornando-se, assim, turistas da Euro-região (sem esquecer, naturalmente aqueles que são oriundos da própria Espanha e, em particular, da Galiza).

Uma significativa parte destes visitantes voltará e recomendará a visita a familiares e amigos. O mesmo sucede com alguns dos peregrinos que percorrem o caminho de Santiago (entenda-se, caminho português), passando por vários pontos da região Norte, e do Minho em específico.

O desafio, junto de quem faz a gestão de destinos turísticos e dos demais agentes envolvidos no processo de tomada de decisão, passa por captar esse mercado e apostar numa oferta (diversificada e diferenciadora) que seja capaz de satisfazer as necessidades do cliente, levando-o à superação das expectativas inicialmente criadas.

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Ensino

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia