Investir na educação compensa

Ideias

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Tibor Navracsics

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Conseguir que a nossa economia volte a crescer representa, para a Europa, uma prioridade política absoluta. Este aspeto é crucial se quisermos reduzir o desemprego na UE, que permanece, de forma chocante, extremamente elevado, em especial entre os jovens. É também uma condição indispensável para que a Europa se mantenha competitiva na cena mundial. A educação tem um papel fundamental a desempenhar neste esforço.

A educação contribui para estimular o crescimento e a criação de emprego através de vários canais. Melhorar as aptidões e competências das pessoas aumenta as suas possibilidades de emprego, permite-lhes desenvolver métodos de produção mais eficazes e adaptar-se ao progresso tecnológico. Além disso, a educação proporciona às pessoas os conhecimentos e as atitudes necessários para impulsionarem a investigação e o desenvolvimento, traduzindo novas ideias em inovação. O efeito combinado destes fatores — níveis mais elevados de emprego, maior produtividade e adaptabilidade — permitirá à Europa competir no contexto de uma economia global baseada no conhecimento.

Contudo, e apesar de os nossos sistemas de educação serem bons, não o são ainda suficientemente. Para colher plenamente os benefícios da educação, precisaremos de reformas estruturais, a fim de aperfeiçoar os sistemas de educação e de os tornar ainda mais eficientes. E a Europa tem de investir mais, de forma mais inteligente e no domínio certo: nas aptidões e competências da sua população.

Nos últimos anos, muitos Estados-Membros (14, em 2012) reduziram a percentagem do seu Produto Interno Bruto (PIB) afetado ao setor da educação, ao passo que a China, a Índia, a Austrália e o Brasil estão a investir de forma estratégica neste domínio. A África do Sul despende 6,6 % do seu PIB com a educação; na UE, apenas três Estados-Membros têm um melhor desempenho nesta matéria. O Brasil reforçou as suas despesas com a educação, passando de 3,9 % do PIB, em 1999, para 5,8 %, em 2012, e, atualmente, esta percentagem situa-se acima da média de 5,3 % da UE.

Precisamos de fazer melhor. É necessário investir na educação e na formação, a fim de garantir que a Europa forma melhores professores, proporciona aos cidadãos as competências necessárias ao mercado de trabalho atual e mantém a educação o mais aberta possível ao maior número de pessoas. É através das nossas escolas, dos institutos de formação e das universidades que podemos explorar as tecnologias digitais, para possibilitar às pessoas de todas as idades e origens sociais o acesso à aprendizagem. É através das nossas universidades e dos centros de investigação e das parcerias que celebram com as empresas que podemos reforçar a capacidade de inovação da Europa e contribuir com novas ideias para o mercado. É aqui que a Europa tem de investir o seu dinheiro.

Esta é a razão por que a educação foi, justificadamente, considerada central no âmbito do Plano de Investimento da UE. O Fundo Europeu de Investimentos Estratégicos (ESIF), que ascende a 315 mil milhões de euros, gerido pelo Banco Europeu de Investimento e cofinanciado pela Comissão Europeia, oferece grandes oportunidades. Cada euro colocado no fundo é suscetível de atrair financiamento privado adicional para investimentos estratégicos na educação ao longo dos próximos três anos, sem que daí resulte um agravamento da dívida pública.

Se bem que o investimento tenha vindo frequentemente a faltar, o mesmo não acontece com as boas ideias para projetos viáveis no domínio da educação. O financiamento de laboratórios de aprendizagem inovadores, o reforço da cooperação entre as universidades e as empresas, a melhoria das infraestruturas nas zonas rurais e localidades com comunidades marginalizadas — eis apenas alguns exemplos do modo como o investimento na educação irá apoiar o crescimento económico da Europa a longo prazo.

Desenvolverei um trabalho conjunto com os meus pares, Membros da Comissão, a fim de tornar ideias como estas em realidade e assegurar o seu êxito. Precisamos, porém, de contar com o apoio dos Estados-Membros. Assim sendo, insto os governos a subscrever o Plano de Investimento no Conselho Europeu de 18-19 de dezembro e a conferir-lhe maior capacidade de intervenção efetuando pagamentos suplementares para o fundo. Tal permitir-nos-á impulsionar ainda mais os projetos de educação comprovadamente meritórios.

A educação representa, evidentemente, muito mais do que a sua mais-valia do ponto de vista económico. Todavia, numa época caracterizada por orçamentos públicos estritos, investimentos reduzidos, níveis de desemprego inaceitavelmente elevados e uma necessidade urgente de relançar o crescimento e a criação de emprego, é tempo de recordar: a educação é um dos melhores investimentos que a UE pode fazer. Oferece efetivamente uma boa relação qualidade-preço. Investir na educação compensa.

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