Por entre balanços e balanças, vem aí o Novo Ano!

Ensino

autor

Natália Rebelo

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Com a aproximação do final de mais um ano, surge, em muitos de nós, a vontade de reflexão, de análise dos nossos erros e possíveis acertos e de fixação de novos objetivos, tanto pessoais como profissionais. Na linguagem empresarial, tais ações denominam-se planeamento estratégico e, salvo algumas adaptações, é possível utilizar esses mesmos recursos para planearmos a nossa vida. Aos leitores, perdoem-me a presunção, deixo algumas recomendações e aos meus alunos da Escola Profissional de Braga (EPB), faço a revisão da matéria dada.

No final do ano civil (faço a ressalva por “funcionar” em anos letivos), é costume olharmos saudosamente (ou não) para trás e avaliarmos o nosso desempenho em jeito de despedida para entrarmos no novo ano com vida nova. É, no fundo, um hábito que temos adotado como uma forma de revitalização pessoal e o que se espera é que, terminado um ciclo, sigamos para um novo, sabendo onde chegar. É aí que entra o supracitado planeamento estratégico.

Peço aos leitores que não estranhem a recomendação de uma ferramenta empresarial, pois pode ser facilmente aplicada na vida pessoal de quem pretende definir metas e objetivos e, assim, traçar os caminhos adequados para alcançá-los. E este planeamento pode ser utilizado para analisarmos a nossa trajetória a vários níveis: profissional, social, familiar, emocional, etc. Pode até ser equiparado a um reforço positivo que permite realimentar as nossas intenções e sustentar o caminho a percorrer.

Alerto para o facto de ser fundamental que o balanço pessoal seja efetuado como um exercício constante e não apenas no final de um ano. Embora seja essa a época mais usual, porque não escolhermos um momento de renovação pessoal e promovermos a sua repetição várias vezes ao ano? Será esse o momento ideal para uma autoavaliação que conduza à redução das nossas dúvidas e ao fortalecimento das nossas convicções relativamente ao futuro.

Esta recomendação assenta na importância em fixarmos metas de desenvolvimento intelectual e emocional. A título de exemplo, atrevo-me a apontar que haverá quem planeia emagrecer mas, sem a devida preparação emocional, é muito provável que a balança teime em não exibir o peso pretendido e convenhamos que, nesta altura do ano, abundam tentações que adiam tal discernimento.

Mas voltemos à esfera empresarial! Pode ser muito útil desenharmos uma tabela num papel ou, para os mais tecnológicos, socorrermo-nos de ferramentas informáticas (sendo patente que os alunos da EPB optarão pela segunda opção, tal é o seu know-how nessa área) e traçarmos uma coluna de ativos (créditos) e outra de passivos (débitos), benefícios e custos, aspetos positivos e negativos, etc. Qual o objetivo? Efetuarmos uma comparação crítica e objetiva daquilo que conseguimos e do que não conseguimos fazer, visando a aprendizagem com a experiência obtida, sem nos focarmos apenas nos erros cometidos mas antes privilegiarmos a aprendizagem para o futuro. Uma espécie de “prestação de contas” a nós próprios.

Além disso, o planeamento deverá contemplar as ações que nos levam à conquista dos nossos objetivos. Passo a esmiuçar: se eu quiser comprar um telemóvel da marca XPTO (fruto do excelente trabalho desenvolvido em termos de marketing), devo traduzir esse objetivo em ações, por exemplo, “economizar x euros por mês durante um período definido”. Não esqueçamos que colocar o plano numa gaveta ou num ficheiro no computador em nada contribuirá para o seu sucesso. Devemos, sim, mantê-lo debaixo de olho e o íman na porta do frigorífico ainda continua a ser, quanto a mim, um local de visibilidade por excelência.

E agora que possuímos todos os ingredientes para que a nossa “receita” seja perfeita (é condição sine qua non que seja light), permitam-me que aprofunde a questão da fixação de metas e objetivos, os quais podem ser elevados mas sempre passíveis de serem alcançados, isto é, de nada adianta planearmos grandes metas a longo prazo se as mesmas não forem estrategicamente estudadas. Realço, ainda, que tanto no mundo empresarial como na vida pessoal, apurar se a meta traçada é pequena ou grande demais constitui uma dúvida muito comum.

Na minha opinião, a qual preconizo junto dos alunos da EPB, fixar metas mais altas promove um efeito mais visceral, de maior compromisso, mas esta é uma questão muito pessoal e depende da personalidade de cada um. O importante, aqui, é ter um excelente nível de realização.
Passo a exemplificar! Traçar que a empresa seja líder de vendas em dois anos é uma grande meta mas não deveremos considerar que os riscos para lá chegar podem comprometer os resultados?

Não será mais prudente definir pequenas metas em diferentes áreas, tais como estabelecer que a empresa tenha um atendimento ao cliente de excelência? Através de pequenos passos, constroem-se os pilares que levam à aproximação do objetivo mais ambicioso, o de longo prazo. O mesmo acontece com um jovem que perspetiva a sua vida até aos 40 anos, terá de concretizar vários objetivos a curto prazo que serão importantes para chegar ao nível de vida esperado na fase madura.

Como toque final ou “cereja no topo do bolo” (Rei), e considerando que vivemos momentos conturbados a vários níveis, debrucemo-nos mais sobre o planeamento pessoal e tracemos metas de desenvolvimento pessoal. Chegou o momento de descobrirmo-nos mais e de efetuarmos o balanço que influencie as próximas escolhas e contribua para o desenvolvimento de novos planos, ideias ou projetos.

E se tudo isso for coroado com valores e princípios que saibam aumentar o nosso espírito solidário e prendar aqueles que mais precisam com um sorriso, um abraço, uma palavra de afeto, sem planos, sem objetivos, sem retorno (a não ser uma grande dose de satisfação para quem o emite), o balanço fica de tal ordem recheado que, felizmente, não cabe na balança.
Votos de um Feliz Ano 2015 (e não só)!

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