Design IPVC ou o enigma da criatividade na região do Minho

Ensino

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Liliana Soares

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Uma região é criativa se pensar em qualquer coisa de absolutamente local, ou seja, não imitável, não reproduzível. Qualquer coisa relacionada com a única coisa que não se pode deslocar: o lugar, a sua história, a sua paisagem exterior e interior, física e cultural; o seu genius loci como diziam os romanos. Considerar que a região do Minho é uma região de criatividade pode significar que se assume que ela é uma região promotora de conexões.

Neste sentido, é importante referir que a região do Minho continua a caracterizar-se pela presença de ofícios antigos, embora algumas actividades corram sérios riscos de extinção, pelo que interessa identificar e aprofundar as referências que arriscam perder-se no tempo.

Primeiro, porque os artesãos portugueses são cada vez mais velhos e em menor número. Segundo, pelo desinteresse manifestado pelas gerações mais novas em aprofundar o artesanato. Terceiro, pela indiferença de alguns projectistas - designers e arquitectos - em querer e em saber relacionar o artesanato com o projecto. Hoje, é urgente que o projecto se assuma como um estimulador de processos antigos e de técnicas típicas do artesanato, transformando-os em novas identidades da cultural material de um povo.

Numa análise à região verifica-se que, em relação ao comportamento da economia nacional, o crescimento económico tem-se destoado e que o nível de desemprego tem aumentado. Outro dado importante a reter é a caracterização empresarial da região, constituída por pequenas empresas com menos de 10 pessoas, orientadas para o sector secundário. Em alguns casos, há municípios em que o sector secundário tem o mesmo peso que o sector primário como os municípios de Melgaço ou de Monção.

A forte presença da agricultura e de pequenas indústrias é complementada pela existência de actividades artesanais distintas. Nos municípios do interior do distrito de Viana do Castelo, as actividades artesanais predominantes na construção de objectos de uso quotidiano são: a carpintaria, a tanoaria, a latoaria, luminária, a tecelagem, a cestaria, a olaria, a pirotecnia.

Na zona litoral os artefactos destacam-se pela competência da semântica, preponderando a latoaria, as ferragens, as cerâmicas, as olarias decorativas, a estatuária de pedra, a marcenaria, os bordados regionais, a tecelagem, as rendas, as redes, a cordoaria, as tapeçarias e a cestaria.
Esta diversidade de actividades define uma complexidade cultural que pode contribuir para a sustentabilidade do lugar.

O desenvolvimento sustentável da região depende da sustentabilidade das empresas que preservam no tempo os seus produtos e o progresso da região e, consequentemente, do país. A ligação entre as culturas do fazer e a cultura do design, por meio de projectos académicos e de investigação, pode ser a chave para a sustentabilidade e para a competitividade da região.

Na região do Minho, os cursos de Design do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) têm oferecido a prática de exercícios de investigação/ensino que cruzam o artesanato com o design, estimulando a criatividade sustentável.
Na licenciatura em Design do Produto esta acção tem permitido o desenvolvimento da disciplina do design e a sobrevivência do artesanato, garantindo a sustentabilidade de ofícios antigos portadores da identidade da região.

A licenciatura em Design de Ambientes, coordenada pelo Arquitecto Rui Cavaleiro, tem proporcionado a criação de cenários de equipamentos conotados com a região, como por exemplo, o projecto “Granito das Pedras Finas” desenvolvido em parceria com o Município de Ponte de Lima.

Um outro caso de criatividade no Minho é o Mestrado em Design Integrado do IPVC (MeDeIn), coordenado pelo Arquitecto Ermanno Aparo, que em 2014 desenvolveu um projecto de sistema de bicicleta - uma tricicleta - intitulado RAIOOO. Trata-se de um projecto que cruzou o saber específico de diferentes empresas como Corticeira Amorim, Irmãos Jácome, APPACDM, Roci, Reudas Eléctricas, Ciclos Terra e Irmãos Queiroz.

O enigma da criatividade na região do Minho está na competência da Academia para saber interpretar a realidade, combinando os elementos existentes que caracterizam hoje a região - elementos tradicionais e novos. Uma acção complexa, contínua e incerta como a realidade actual, que cruza tudo e o oposto de tudo, oferecendo novas conexões que são úteis - hoje; agora - ao indivíduo.

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