Ter e Ser

Ensino

autor

Carlos Morais

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Hoje em dia vivemos num mundo globalizado, complexo, focado no conhecimento e muito competitivo entre todos. Valoriza a inovação, empenho e a capacidade de criar valor.
Será que estamos a formar jovens que consigam vencer neste mundo?
Este mundo competitivo e que valoriza o conhecimento é também o mesmo que criou uma sociedade em que todos querem ter e poucos querem ser.

O ser humano nasce no seio de uma família, sendo esta a sua estrutura básica que irá moldar o seu carácter e as suas potencialidades. Mas na sociedade atual, em que há uma “desvalorização” dos valores (enquanto ideologias), estes primeiros momentos essenciais que formam o ser humano são transferidos para essa mesma sociedade. Os jovens desde cedo estão na escola, com um ensino ritualista que lhes transmite os valores dessa sociedade, em que os alunos são uns meros reprodutores. Sociedade que transformou o ser humano num ser consumidor. Somos avaliados pelo que temos, compramos para nos afirmar e mostrar e valemos pelo que temos.

Consumir é a forma de “ter”, talvez a mais importante na sociedade atual. Se tiver muito sou mais, pois temos prazer em possuir. Estamos a criar uma sociedade egoísta em que todos somos motivados pelo ter. O desenvolvimento material das sociedades é essencial, é uma conquista social e económica do ser humano ao longo da sua história, mas esta conquista tornou-se a nova religião.

Os jovens hoje em dia estão a pagar esta visão, preocupando-se muito com o “ter” e desvalorizando o “ser”. A sociedade tem passado a ideia de que para ser é preciso ter. Os jovens obcecados e absorvidos pelas novas tecnologias, estão pouco dispostos a questionar, criticar ou sonhar. Muitas vezes alheados da realidade e do seu contexto. A internet é a nova forma de conhecimento, esquecendo-se ou mesmo nem questionando, que ela apenas informa e não forma. Assim, penso, que os jovens não estão esclarecidos sobre os desafios que os espera no futuro. São fruto do meio criado “Não sou esperto nem bruto, nem bem nem mal educado, sou apenas produto do meio em que fui criado”, António Aleixo.

Assim precisamos de uma escola e de uma educação, sendo esta, desde o iluminismo no século XVIII a única forma de iluminar e esclarecer o ser humano, que forme verdadeiros cidadãos. Uma verdadeira comunidade só pode existir se cada um tiver acesso a uma experiência intelectual que permita conhecer os factos, questionar e entender o que nos rodeia para poder decidir sobre soluções para os problemas.

A Escola Profissional de Braga, desde há 25 anos com o seu modelo de ensino mais prático, menos ritualista, onde a interação com profissionais de diferentes áreas capacita os alunos a pensar, saber estar e saber fazer, tenta ir de encontro às novas necessidades dos empregadores. Estes valorizam a capacidade de aprender coisas novas, de se adaptar às situações, de produzir conhecimento, de interagir, ser autónomo e a ter iniciativa.

Criando jovens que valorizem o saber, o conhecimento e transmitindo valores em que os jovens possam “ser” para “ter”. O ensino regular de hoje contrasta com esta visão, pois leva muitas vezes à “hiperescolarização” em que os jovens vão saltando de ciclo para ciclo, porque não conseguem sair para o mercado de trabalho devido a esse ensino ritualista.

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